Governo encontrou espaço fiscal de R$ 19,6 bi no Orçamento de 2026, diz ministro do Planejamento
Bruno Moretti afirmou que houve redução da projeção de crescimento das despesas previdenciárias, o que teria possibilitado o reajuste do Bolsa Família
O governo federal identificou uma folga fiscal de R$ 19,6 bilhões no Orçamento de 2026, viabilizada pela redução de gastos obrigatórios com Previdência, BPC, pessoal e subsídios. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, essa economia permitiu o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, que custará R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027. Moretti garantiu que o aumento respeita as regras fiscais e que a meta de superávit será mantida sem impactos orçamentários negativos.
BRASÍLIA - O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o governo federal identificou um espaço fiscal de R$ 19,6 bilhões no Orçamento deste ano, o que permitiu o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, anunciado na semana passada pelo governo Lula a menos de três semanas das eleições.
Em entrevista ao portal g1, ele afirmou que, considerando apenas os benefícios previdenciários, houve uma redução da projeção de crescimento em R$ 11,5 bilhões.
"O valor da Previdência é duas vezes maior do que o reajuste do Bolsa Família. Tem alguma queda projetada para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também, tem alguma queda projetada para despesa de pessoal, tem alguma queda projetada em subsídios, de maneira que elas significam mais ou menos R$ 19,6 bilhões de redução projetada para a despesa obrigatória", disse Moretti na entrevista.
"O Bolsa Família já será incorporado, portanto, às nossas regras fiscais. A gente fez realmente uma medida para a qual a gente tinha espaço fiscal, portanto, sem qualquer tipo de burla, absoluto respeito às convenções e às regras fiscais", sustentou.
A equipe econômica deverá detalhar o remanejamento feito para este exercício no próximo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, relativo ao 4º bimestre de 2026, que deverá ser publicado na próxima quinta-feira, 24.
O reajuste do Bolsa Família terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026. No ano que vem, o custo será de R$ 22,7 bilhões. Segundo Moretti, a mensagem modificativa alterando o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 - para incorporar essa nova previsão - não vai mudar a projeção de superávit. "Zero. Nenhum efeito em regras fiscais", garantiu.
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