Goldman Sachs tem lucro acima do esperado, impulsionado por operações de M&A e negociação de ações
O Goldman Sachs reportou nesta segunda-feira lucro acima das expectativas de Wall Street para o primeiro trimestre, impulsionado pelo desempenho da área de banco de investimentos e performance da divisão de negociação de ações.
O lucro por ação foi de US$17,55, superando a estimativa média dos analistas de US$16,49, de acordo com dados compilados pela LSEG.
Os mercados globais foram abalados pelo conflito no Oriente Médio, com o aumento dos preços do petróleo alimentando temores de inflação e preocupações com uma recessão.
A volatilidade acentuada no mercado de ações, no entanto, levou clientes a reavaliarem seus portfólios, impulsionando as mesas de operações dos grandes bancos.
"O cenário geopolítico continua muito complexo - portanto, a gestão disciplinada de riscos deve permanecer fundamental para a nossa forma de operar", disse David Solomon, presidente-executivo do Goldman Sachs, em comunicado.
A receita da Goldman Sachs proveniente da intermediação e financiamento de negociações de ações aumentou 27%, atingindo o recorde de US$5,33 bilhões.
A divisão de renda fixa, moedas e commodities do banco, por sua vez, apresentou um ponto fraco, com queda de 10% na receita, para US$4,01 bilhões, devido à desaceleração nas negociações de taxas de juros e hipotecas.
MERCADO DE FUSÕES E AQUISIÇÕES RESILIENTE
Executivos de Wall Street esperam um ano forte para fusões e aquisições, apesar da atual incerteza decorrente do conflito no Oriente Médio, já que uma postura mais flexível em relação às regulamentações sob a administração do presidente Donald Trump e o boom da inteligência artificial provavelmente sustentarão grande parte dessa atividade.
O volume global de fusões e aquisições atingiu US$1,38 trilhão no primeiro trimestre, segundo dados compilados pela Dealogic. Analistas da Jefferies observaram que os gastos para fusões e aquisições aumentaram 19% em relação ao ano anterior, chegando a US$11,3 bilhões, com o Goldman Sachs liderando o mercado em participação.
O banco de investimento trabalhou em alguns grandes negócios no primeiro trimestre, incluindo a assessoria à Unilever para a fusão planejada de seu negócio de alimentos com a McCormick para criar uma empresa de US$65 bilhões. Também trabalhou na proposta de parceria da Equitable com a Corebridge para formar uma seguradora de US$22 bilhões.
As tarifas provenientes de serviços de banco de investimento subiram para US$2,84 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 48% em relação ao ano anterior.
"As tendências do setor de bancos de investimento foram positivas, com grandes empresas impulsionando o fluxo de transações de fusões e aquisições, enquanto as ofertas públicas iniciais (IPOs) de grande porte permanecem na fila para o verão e o outono (no hemisfério norte)", disse Stephen Biggar, analista bancário da Argus Research.
A receita da Goldman Sachs proveniente de gestão de ativos e patrimônio aumentou 10%, atingindo US$4,08 bilhões. O banco priorizou esse segmento para gerar renda mais estável, reduzindo sua dependência de receitas mais voláteis de trading e banco de investimento.
GRANDES IPOS NO RADAR
O mercado de IPOs foi atingido por uma renovada incerteza alimentada por tensões geopolíticas que prejudicaram o apetite por risco em ações, mas algumas empresas, especialmente nos setores industrial e de defesa, seguiram em frente com seus planos de abertura de capital.
Segundo a Reuters, o Goldman Sachs garantiu um lugar como um dos principais bancos a gerir a oferta inicial de ações (IPO) da SpaceX, previsto para junho. A empresa liderada por Elon Musk poderá levantar US$75 bilhões, atingindo um valor de US$1,75 trilhão.
A expectativa é que a abertura de capital prepare o terreno para uma série de IPOs de grande porte este ano, incluindo os potenciais IPOs da OpenAI e da Anthropic.
O Goldman Sachs esteve entre os coordenadores do IPO da PayPay nos EUA, no valor de US$880 milhões, que avaliou a empresa apoiada pelo SoftBank em US$10,7 bilhões.