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Gigante global que fará túnel Santos-Guarujá reúne projetos bilionários e controvérsias

Portuguesa Mota-Engil tem quase 80 anos de experiência em construção civil, obras públicas e operações portuárias; procurada, empresa não se manifestou

5 set 2025 - 20h24
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BRASÍLIA E SÃO PAULO - A portuguesa Mota-Engil, que venceu a disputa pela concessão do túnel Santos-Guarujá nesta sexta-feira, 5, tem quase 80 anos de experiência em setores como construção civil, obras públicas e operações portuárias. Em seu portfólio, uma extensa lista de projetos pelo mundo, incluindo obras tão complexas como a do novo túnel brasileiro. Em sua trajetória, não saiu imune a controvérsias, já investigada por casos de corrupção.

Procurada, a Mota-Engil não se manifestou até o momento.

Desde a fundação, em 1946, a Mota-Engil adotou uma estratégia agressiva de expansão de negócios. A presença no mercado internacional veio apenas após um mês, quando a companhia desembarcou em Angola, na África, passando a trabalhar com exploração de madeira. Em 1948, começou a atuar com obras públicas.

Os anos e décadas seguintes também foram marcados por expansão para novos mercados. Atualmente o Grupo Mota-Engil é constituído por 228 empresas distribuídas por três grandes áreas: Engenharia e Construção, Ambiente e Serviços e Concessões de Transportes. Suas operações estão presentes em 21 países distribuídos entre Europa, África e América Latina.

No certame de hoje, o grupo português desbancou a espanhola Acciona, que ofertou desconto de 0%. A responsável pela Linha 6 do Metrô de São Paulo, ainda em construção, também no setor de saneamento, com concessões no Paraná e Espírito Santo, por exemplo.

Desde o lançamento do edital, oito empresas chegaram a estudar o projeto, incluindo brasileiras. No entanto, a leitura de especialistas é de que a familiaridade com obras do tipo e melhor acesso a financiamento culminaram na presença exclusiva de grupos internacionais - ambos com atuação global.

Projetos de destaque

Em seu site oficial, apresenta 219 projetos, entre contratados e já finalizados para diferentes setores. A lista inclui estádios, plataformas off shore, linhas de metrô, rodovias, hospitais e dezenas de outros tipos.

Ainda que pouco conhecida pela atuação no Brasil, tem três obras realizadas no território brasileiro: Via Férrea Ponta da Madeira, em Carajás (PA), no ano de 2018; Barragem de rejeitos Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG), em 2014, além de serviços de recuperação da malha viária da Rodovia Fernão Dias (BR-381), em 2020.

Confira alguns dos exemplos do portfólio:

  • Canal Logístico (Moçambique - 2017): O valor assinado à época equivale a R$ 12,9 bilhões
  • Trem Maya (México - 2020): O valor assinado à época equivale a R$ 10,47 bilhões
  • Linha Férrea Kano-Maradi (Nigéria - 2021): O valor assinado à época equivale a R$ 6,39 bilhões

Controvérsias

Durante suas décadas de atuação, a Mota-Engil esteve envolvida em investigações por corrupção, como acusações no Malawi de que foram pagas propinas ao ex-presidente entre 2010 e 2011.

Em seu país sede, enfrentou processos fiscais que resultaram em pagamento de cerca de € 6,1 milhões para evitar acusações de fraude. Também foi alvo de investigações em países vizinhos latinos como Peru e Argentina, todos relacionados a possíveis contratos ilícitos.

Em 2021, a chinesa CCCC tornou-se acionista de referência com 32,4% do capital, criando uma parceria estratégica de longo prazo.

A empresa centenária é a maior do mundo em diferentes segmentos de infraestrutura: concepção e construção de porto, concepção e construção de estradas e pontes, dragagem, fabricação de guindastes para contêineres e concepção de plataformas petrolíferas offshore.

A companhia também já atua no Brasil de forma discreta e, a obra que conduz, enfrenta problemas. Parte de um consórcio com outra gigante chinesa, a CCCC assinou, em 2020, um contrato para a construção da ponte que pretende ligar Salvador e a Ilha de Itaparica.

Porém, alegando desequilíbrio em razão do aumento do preço de insumos durante a pandemia, ainda não começou os trabalhos. Em junho, o governo da Bahia assinou um acordo elevando o valor do contrato de R$ 5 bilhões para R$ 10 bilhões.

Afora os pontuais problemas na Justiça enfrentados pela Mota-Engil, não há registros expressivos sobre descumprimentos de cronogramas, com exceções atribuídas a demanda por alterações contratuais. O histórico de falhas em obras também é pouco expressivo pela quantidade de projetos executados.

A reportagem identificou apenas um caso de deslizamento em uma barragem sob responsabilidade da companhia, mas que foi descrito como um fenômeno inesperado.

Estadão
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