Gestoras veem economia global resiliente e corte de juros no radar
Apesar das tensões geopolíticas e incertezas comerciais, a economia global segue mostrando resiliência, de acordo com Fator e AZ Quest. Segundo as cartas mensais das gestoras, esse cenário mantém no radar dos investidores a possibilidade de cortes de juros nos próximos meses.
Para a Fator, os principais vetores de risco no cenário internacional continuam sendo o aumento das tensões no Oriente Médio e as mudanças na política comercial dos Estados Unidos.
A gestora destaca sobretudo os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã e as preocupações com o fluxo global de petróleo.
"A possibilidade de fechamento do Estreito de Hormuz, por onde transita aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo, ampliou a dimensão energética do conflito", diz a carta mensal da Fator.
Além da geopolítica, a política tarifária americana também segue no radar. Após decisão da Suprema Corte, que invalidou tarifas impostas pelo governo, a Casa Branca anunciou uma tarifa global de 10% sobre importações.
Segundo a casa, o Brasil pode ser relativamente beneficiado nesse contexto, com redução da alíquota média aplicada às exportações brasileiras para os EUA.
Economia resiliente nos EUA
A AZ Quest, por sua vez, avalia que os dados econômicos recentes continuam reforçando a resiliência da economia americana, especialmente por conta da força do mercado de trabalho.
"O relatório de empregos revelou a resiliência do mercado de trabalho, com criação de vagas e taxa de desemprego em níveis historicamente baixos", destacou a gestora.
Ao mesmo tempo, indicadores de inflação vieram levemente abaixo do esperado em algumas leituras recentes, reforçando a percepção de estabilização da economia.
Esse cenário, segundo a casa, sustenta a leitura de que o Federal Reserve deve manter cautela antes de iniciar um ciclo mais consistente de cortes de juros.
Corte de juros no Brasil
No Brasil, as duas gestoras compartilham a expectativa de que o Banco Central esteja próximo de iniciar um ciclo de flexibilização monetária.
A Fator avalia que o Copom pode iniciar o processo de corte de juros já na próxima reunião, com redução de 0,5 ponto percentual na taxa Selic.
A leitura é semelhante à da AZ Quest, que também projeta início do ciclo de queda dos juros no curto prazo, apoiado por sinais de moderação da atividade econômica e perspectiva de desinflação gradual.
Ainda assim, fatores como inflação de serviços e riscos geopolíticos podem influenciar o ritmo desse movimento, diz a gestora.
Diferença de visão para a Bolsa
Apesar da leitura semelhante em relação à economia global e ao cenário macroeconômico, as gestoras adotam posturas distintas em relação ao mercado de ações doméstico.
A AZ Quest reduziu sua exposição à bolsa brasileira, adotando uma postura mais defensiva diante das incertezas externas.
Já a Fator mantém uma visão mais construtiva para o Ibovespa, destacando que empresas locais seguem negociando com múltiplos atrativos em comparação com pares globais.
"Empresas brasileiras seguem negociando a múltiplos atrativos frente aos pares globais, com ciclo de afrouxamento monetário à frente", afirmou a gestora.
Onde estão as oportunidades?
No caso da Fator, a estratégia continua concentrada em empresas com geração consistente de caixa e qualidade de gestão, com destaque para setores como materiais básicos, bancos, energia e utilities.
Entre as maiores posições estão companhias como Vale, (VALE3) Petrobras (PETR4), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Cyrela (CYRE3).
Já a AZ Quest tem priorizado estratégias mais defensivas e posições em renda fixa, apostando principalmente em posições aplicadas na parte curta da curva de juros, que tendem a se beneficiar de um eventual início do ciclo de cortes da Selic.
Além disso, a gestora manteve posição comprada em ouro, ativo tradicionalmente procurado em períodos de maior incerteza econômica e geopolítica.
Na visão das gestoras, a economia global deve seguir marcada por tensões geopolíticas, mudanças no comércio internacional e transições na política monetária das principais economias. Ainda assim, a combinação de atividade resiliente e possível flexibilização monetária mantém no radar oportunidades de investimento.