Fim da 6x1: Após reunião com Alcolumbre, entidades produtivas defendem adiar PEC e criticam Câmara
Skaf falou que proposta é 'fora da realidade brasileira' e 'só baseada em bandeira política; Alban diz que mudança pode provocar aumento de preços entre 6% e 8% na indústria
BRASÍLIA - Entidades produtivas pediram nesta terça-feira, 26, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que adie a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 para depois das eleições de outubro.
Segundo eles, o projeto tem sido usado como bandeira eleitoral pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por parlamentares. O texto deve ser votado nesta semana pela Câmara e, depois, precisará passar pelo Senado.
Entre as entidades recebidas estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
"Da maneira que foi feita, ela [PEC] está fora da realidade brasileira, foi feita de forma irresponsável e só baseada em bandeira política. Não ouviu o setor nenhum [...] Foi tratada pelo governo brasileiro como bandeira eleitoral, em véspera da eleição, assim como o imposto das chamada blusinhas", disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em entrevista coletiva a jornalistas, após o encontro.
Ele criticou o relatório costurado entre governo e Câmara e defendeu que mudanças na escala de trabalho sejam definidas por negociação entre empresas e trabalhadores. Segundo ele, o Brasil possui cerca de 2 mil setores econômicos, cada um com particularidades, o que exigiria soluções específicas e maior diálogo. Skaf afirmou que o tema foi tratado na Câmara "de forma irresponsável".
Ele também alegou falta de estudos técnicos sobre os impactos da medida e disse esperar que o Senado conduza a discussão "com serenidade" e "sem pressa".
"Peça os estudos que a Câmara fez, pergunte para o relator: 'Cadê os estudos?' Peço ao presidente da Câmara os estudos", declarou, referindo-se ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Skaf afirmou ainda que Alcolumbre ouviu as preocupações do setor produtivo e reconheceu a complexidade do tema, mas não detalhou se o senador acolherá o pedido. Para Skaf, não haveria problema em adiar por alguns meses a discussão sobre o fim da escala 6x1.
CNI argumenta que projeto causará inflação
O presidente da CNI, Ricardo Alban, também presente na reunião, disse que a mudança poderá provocar aumento de preços entre 6% e 8% na indústria.
"Dois, três meses depois, após as eleições, os novos preços de repasse do custo vão estar nas prateleiras ou nos serviços. [...] Temos uma estimativa de que, para o setor industrial, isso pode representar um aumento de preço médio entre 6% e 8%", disse.
Ele também criticou o período de transição de 14 meses previsto pelo projeto. Pelo relatório, a primeira redução, de duas horas na carga horária semanal, seria realizada 60 dias após a promulgação da emenda. "Qual é a empresa de pequeno, médio porte vai ter capacidade de melhorar seu rendimento, sua produtividade em 60 ou 90 dias? Nenhuma", questionou Alban.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.