Fed deve prolongar pausa em cortes de juros após dados de emprego de dezembro
Uma queda na taxa de desemprego pode aliviar as preocupações do banco central norte-americano sobre a fragilidade do mercado de trabalho, com investidores apostando que o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, já realizou seu último corte na taxa de juros antes do término de seu mandato, em maio.
Isso deixaria qualquer flexibilização adicional da política monetária nas mãos de quem quer que o presidente Donald Trump escolha como sucessor de Powell.
A taxa de desemprego caiu para 4,4% no mês passado, ante 4,5% em novembro (dados revisados), informou o Departamento do Trabalho dos EUA nesta sexta-feira, mesmo com a criação de 50 mil vagas de emprego no mês. Economistas consultados pela Reuters previam um aumento de 60 mil postos de trabalho.
Powell ajudou a impulsionar o Fed a reduzir sua taxa básica de juros em 75 pontos-base no ano passado, numa tentativa de impedir que o mercado de trabalho se enfraquecesse ainda mais, mesmo quando seus colegas mais conservadores argumentaram que isso poderia desacelerar ou até mesmo comprometer o progresso na redução da inflação.
Os dados mais recentes do mercado de trabalho parecem dar ao banco central alguma margem de manobra para manter os juros de curto prazo onde estão, conforme Powell sinalizou no mês passado que os formuladores de políticas estão inclinados a fazer, pelo menos no curto prazo.
Os investidores em contratos futuros de taxas de juros atrelados à taxa básica do Fed agora veem apenas 44% de chance de um corte na taxa até abril, contra probabilidades próximas de 50% anteriormente, sendo a retomada dos cortes de juros em junho considerada o cenário muito mais provável.
O mandato de Powell como presidente do Fed termina em 15 de maio. Trump, que repetidamente criticou Powell por não ter conseguido os grandes cortes de juros que o presidente deseja, afirmou já ter escolhido um sucessor que apoia novas reduções nos juros. O anúncio é esperado para este mês.
SINAIS DO MERCADO DE TRABALHO
A queda na taxa de desemprego nos EUA em dezembro "deveria arrefecer a recente urgência do Fed em apoiar um mercado de trabalho em declínio", disse Olu Sonola, chefe de pesquisa econômica dos EUA na Fitch Ratings. "Dito isso, a fraca notícia sobre o crescimento do emprego não pode ser ignorada. As contratações ainda estão estagnadas e o crescimento do emprego nos setores cíclicos da economia não envia um sinal animador."
Os empregadores norte-americanos criaram apenas 548 mil vagas em 2025, em comparação com cerca de 2 milhões em 2024, segundo dados divulgados nesta sexta-feira. O número de desempregados que ainda buscam trabalho há mais de seis meses representa agora mais de um quarto do total. Já o número de pessoas com empregos de meio período por não conseguirem encontrar um emprego em tempo integral aumentou consideravelmente em comparação com alguns meses atrás.
"Os riscos apontam para um aumento nas demissões no futuro", observaram economistas da Pantheon Macro, sugerindo uma pressão contínua por mais flexibilização monetária por parte do Fed, mesmo enquanto Powell ainda estiver à frente do banco central, talvez já em março. Os investidores atualmente veem menos de 30% de probabilidade de um corte na taxa de juros até lá.
Ainda há muitos outros dados a serem divulgados antes de Powell deixar o cargo de presidente do Fed, incluindo revisões de referência dos dados do mercado de trabalho no próximo mês, que devem mostrar que a contratação foi ainda mais lenta do que a relatada.
"O Fed permanecerá bastante aberto à possibilidade de que uma desaceleração subjacente ainda possa elevar a taxa de desemprego e outras medidas de folga nos próximos dois meses, o suficiente para justificar um corte em março", escreveu Krishna Guha, vice-presidente do Evercore ISI. "Mas, no geral, vemos algum respaldo para nossa visão de que, muito provavelmente, o Fed manterá as taxas inalteradas até junho, quando fará seu primeiro corte sob a nova presidência."