Fed decide juros sob pressão do petróleo e da escalada no Oriente Médio
Consenso do mercado prevê uma manutenção das taxas nos EUA
As cotações da commodity avançam mais de 5%, interrompendo três sessões consecutivas de queda, após novos confrontos entre Estados Unidos e Irã. Durante a madrugada, forças americanas e sauditas realizaram ataques contra grupos apoiados por Teerã no Iraque.
Os mercados globais iniciam esta quarta-feira (29) em compasso de espera pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed), enquanto a retomada das tensões no Oriente Médio volta a impulsionar o petróleo e reforça as preocupações com a inflação global.
As cotações da commodity avançam mais de 5%, interrompendo três sessões consecutivas de queda, após novos confrontos entre Estados Unidos e Irã. Durante a madrugada, forças americanas e sauditas realizaram ataques contra grupos apoiados por Teerã no Iraque. Washington informou ter interceptado um ataque surpresa iraniano contra tropas americanas.
O cenário também mantém elevada a preocupação com o abastecimento global. A navegação pelo Estreito de Ormuz segue fortemente restrita, enquanto o Estreito de Bab el-Mandeb continua sob pressão após ataques de rebeldes houthis. Em meio à crise, o Irã rejeitou uma proposta de Omã para criar um sistema conjunto de controle do Estreito de Ormuz, insistindo em manter o controle da principal rota de entrada da passagem.
Também no radar dos investidores, o Fed anuncia sua decisão sobre os juros nesta tarde, com expectativa de manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75% ao ano. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado atribui cerca de 70% de probabilidade de estabilidade e 30% de chance de uma alta de 0,25 ponto percentual. Além da decisão, os investidores acompanham a coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária em um cenário de inflação pressionada pela alta do petróleo.
A expectativa reflete nos mercados globais: na Europa, as bolsas operam sem direção única, refletindo a cautela antes do Fed e o avanço do petróleo, enquanto na Ásia, o destaque foi para a segunda sessão consecutiva de vendas de ações de tecnologia após a SK Hynix divulgar lucro operacional abaixo das expectativas, renovando dúvidas sobre as elevadas avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial (IA).
A temporada de balanços também concentra as atenções em Wall Street. Duas empresas do grupo das "Sete Magníficas" divulgam resultados após o fechamento dos mercados, em um teste para o otimismo dos investidores com a IA.
No Brasil, o governo prorrogou o programa Desenrola até 31 de agosto, sem impacto fiscal adicional. A medida, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, atende à demanda do setor bancário por mais tempo para renegociações e deve ampliar o alcance da iniciativa para 10 milhões de famílias.
Até 23 de julho, o programa havia renegociado R$ 22 bilhões em dívidas, em 3,6 milhões de operações, e a expectativa é que a extensão permita a regularização financeira de mais consumidores antes da contratação de novas linhas de crédito.
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