EUA e México marcam três rodadas de negociações de acordos comerciais sem Canadá
A agência comercial do governo dos Estados Unidos disse nesta quarta-feira que dará início à primeira de três rodadas de negociação com o México nesta semana para reformular o acordo comercial da América do Norte, mas não mencionou nenhuma conversa com o Canadá.
O escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) disse em um comunicado que o Representante Comercial Adjunto dos EUA, Jeffrey Goettman, liderará as negociações bilaterais na Cidade do México na quinta e sexta-feira, com foco na "segurança econômica e regras de origem para os principais produtos industriais".
O USTR informou que EUA e México realizarão uma segunda rodada de negociações em Washington em 16 e 17 de junho, com foco em agricultura e "igualdade de condições", com um terceiro conjunto de negociações na Cidade do México programado para a semana de 20 de julho.
"As negociações se concentrarão em garantir que o USMCA beneficie fabricantes, agricultores, pecuaristas, trabalhadores e fornecedores de serviços e empresas de todos os portes dos EUA, inclusive nossas pequenas e médias empresas", disse o USTR em comunicado.
O primeiro governo Trump realizou rodadas de negociações trilaterais com México e Canadá para criar o atual USMCA, que substituiu em 2020 o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) de 1994.
Mas a declaração do USTR não mencionou as negociações bilaterais com o Canadá. Houve poucas discussões entre o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e seu colega canadense, o ministro do Comércio Canadá-EUA, Dominic LeBlanc, desde o início de março, e nenhum lançamento formal de um processo de negociação entre os EUA e o Canadá.
Greer disse na terça-feira, em Washington, que os EUA têm diferenças "significativas" com Ottawa sobre o comércio que serão difíceis de resolver, principalmente porque o Canadá não aceitou a imposição de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre veículos, aço e alumínio canadenses e não negociou concessões comerciais como outros grandes parceiros comerciais como Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Reino Unido e União Europeia.
Em vez disso, Greer repreendeu o Canadá por retaliar os EUA com suas próprias tarifas sobre veículos, aço e alumínio norte-americanos, dizendo que apenas Canadá e China haviam retaliado as tarifas de Washington. Várias províncias canadenses também retiraram as bebidas alcoólicas dos EUA das prateleiras das lojas.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou que as forças armadas do Canadá estavam negociando a compra de aeronaves de radar de alerta antecipado suecas da Saab, em vez de comprar da Boeing, sediada nos EUA.
ALGUMAS TARIFAS DEVEM PERMANECER, DIZ GREER
Greer disse que os EUA pretendem manter um certo nível de tarifas sobre os produtos mexicanos e canadenses de acordo com o USMCA, que, juntamente com o Nafta, criou uma zona livre de tarifas na América do Norte por mais de três décadas, sustentando quase US$1,6 trilhão em comércio trilateral.
No entanto, ele disse que os dois países poderiam receber tratamento preferencial se for possível fechar acordos para proteger a região da América do Norte de produtos externos, inclusive da China, com tarifas mais altas e regras de origem mais fortes para automóveis e produtos industriais.
Greer disse que as regras de origem teriam como objetivo incentivar mais produção, sem fornecer detalhes específicos sobre as exigências dos EUA.
"Acredito que, no decorrer dessas negociações, falaremos sobre regras de origem de forma a aumentar o conteúdo dos EUA nesses produtos", disse Greer sobre as negociações com o México.
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