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Estrangeiro permanece na B3 apesar de aversão a risco global

31 mar 2026 - 12h37
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A bolsa paulista caminha para fechar mais um mês com saldo positivo de capital externo, a despeito ‌da aversão a risco global desencadeada pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que impôs ao Ibovespa o primeiro desempenho mensal negativo desde meados do ano passado.

Até o momento, o Ibovespa acumula declínio de pouco mais de 1% em março, após sete meses seguidos com sinal positivo, período em que acumulou uma valorização de quase 42%.

Dados da B3, porém, mostravam entrada líquida de quase R$7,9 bilhões no mercado secundário de ações local em março até o último dia 26, após saldos positivos de cerca de R$15,4 bilhões em fevereiro e de R$26,3 bilhões em janeiro. Em 2025, as compras superaram as vendas em aproximadamente R$25,5 bilhões.

O cenário geopolítico global mais tenso, de fato, arrefeceu o movimento de rotação de portfólios, que vinha ⁠ajudando mercados emergentes como o Brasil, em parte por preocupações sobre os reflexos dos preços elevados de energia nas expectativas de inflação e, consequentemente, nas políticas monetárias no mundo.

Mas o Brasil ter ‌uma exposição relevante a commodities, ser um exportador líquido de petróleo, acabou colocando o país em uma posição privilegiada em um momento no qual o preço do barril do petróleo aproximou-se dos US$120.

"Já vínhamos com uma visão construtiva para o Brasil no início deste ano e ao longo de todo o ano passado", afirmou à Reuters Rashmi Gupta, gestora de portfólio multiativos ‌no JPMorgan Private Bank, em Nova York, citando entre as razões os valuations atrativos, o cenário de lucros das ‌empresas e o fato do banco central ter espaço para começar a cortar juros. "Esse era o nosso cenário no início do ano."

"Diante do atual ambiente macro e do aumento ⁠do risco geopolítico, posso dizer que ampliamos ainda mais nossa alocação em Brasil e realocamos parte de outras posições em mercados emergentes para o país... O Brasil é um dos mercados com exposição relevante a energia e commodities, que pode ser favorecido em um ambiente de alta nos preços do petróleo."

Outro ponto que Gupta considera atrativo no Brasil neste cenário é que o Banco Central já começou a cortar juros. "Talvez um pouco menos do que gostaria inicialmente... mas ainda assim há espaço para vários cortes à frente", afirmou.

O BC começou um aguardado ciclo de corte de juros ao reduzir neste mês a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, mas defendeu cautela para os próximos movimentos. Antes do conflito no Oriente Médio, prevaleciam as ‌apostas de um corte de 0,50 ponto, que foram minguando com petróleo disparando.

"Nossas interações recentes com investidores estrangeiros indicam que o ciclo de afrouxamento monetário continua sendo um importante gatilho específico para o ‌Brasil", afirmou o estrategista-chefe do Itaú BBA, Daniel Gewehr, em ⁠relatório recente assinado também por Matheus Marques e Raphael ⁠Matutani.

Gewehr ressaltou, contudo, que o início mais lento do que o esperado por parte do BCB levantou algumas dúvidas.

"Acreditamos que alguns investidores têm reduzido ou realocado sua exposição ao país, motivados pelo cenário ⁠geopolítico global e pelas preocupações de que os preços elevados de energia - e seu impacto nas expectativas de inflação - possam ‌comprometer a magnitude e a previsibilidade do ciclo de afrouxamento", ‌afirmou no relatório.

Estrategistas do Goldman Sachs também acreditam que o Brasil é um dos países mais bem posicionados em relação a outros mercados emergentes no contexto do conflito no Irã, conforme relatório assinado por Bruno Amorim e equipe.

"Embora o ciclo de afrouxamento monetário no Brasil tenha sido parcialmente postergado, o cenário-base do Goldman Sachs ainda prevê um corte de 200 pontos-base nos juros ao longo do restante do ano, assumindo que o conflito (no Oriente Médio) seja de curta duração", afirmaram em relatório enviado a clientes na ⁠semana passada.

Para analistas do Citi liderados por André Mazini, no longo prazo, os mercados acionários de Brasil e América Latina são refúgios geopolíticos relativamente seguros, que podem permanecer resilientes, já que estão relativamente menos expostos às consequências econômicas, conforme relatório enviado a clientes neste mês.

PETROBRAS

A gestora do JPMorgan destacou também o fato de a estatal Petrobras ter, até o momento, limitado o repasse do aumento dos preços dos combustíveis aos consumidores, o que pode ser relevante para a dinâmica de inflação no curto prazo e também ajuda a amortecer o impacto sobre o crescimento.

"No curto prazo, o Brasil pode se destacar por sua exposição relevante a energia e, em alguns momentos, por ‌um repasse mais limitado dos preços mais altos — fatores que ajudam a conter pressões sobre a inflação e o crescimento domésticos", afirmou.

Desde o começo da guerra no Oriente Médio, a Petrobras realizou apenas um aumento "tímido", nas palavras dos analistas do Citi liderados por Gabriel Barra, nos preços do diesel, e após o governo zerar tributos federais, enquanto não mudou os ⁠preços da gasolina.

Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) nesta terça-feira mostravam uma defasagem média de 73% nos preços do diesel da companhia em relação ao mercado internacional, enquanto, no caso da gasolina, essa diferença é de 66%.

Ainda assim, as ações acumulam forte valorização em março, com as preferenciais subindo quase 28%.

Para analistas do UBS BB, a Petrobras ajustará os preços dos combustíveis no segundo trimestre para encerrar o ano dentro da faixa de paridade, conforme relatório enviado a clientes na semana passada, elevando o preço-alvo das ações da petrolífera estatal de R$40 para R$60 e reiterando a recomendação de compra.

ELEIÇÕES

Gupta avalia que o resultado da eleição presidencial no Brasil em outubro é um possível gatilho para uma "re-rating" (reprecificação para cima) das ações brasileiras. Ela observou que no ano passado muitos investidores entraram em ações brasileiras porque os valuations estavam baratos e os resultados pareciam muito bons, e havia tempo até a eleição.

"A possibilidade de mudança de governo já estava no radar. Mas agora estamos no ano eleitoral. À medida que a campanha avança, esperamos que a volatilidade aumente. Mas devemos conhecer o resultado em outubro... e aí pode surgir essa história de 're-rating", acrescentou.

Para a gestora do JPMorgan, o principal ponto de atenção é a percepção do mercado sobre a disciplina fiscal e a condução da política econômica.

"O Brasil se beneficia da melhora nos termos de troca com a alta dos preços de commodities. Houve avanços significativos na redução da inflação, que está próxima da meta do BC. A autoridade monetária é crível, bastante consciente dos riscos inflacionários e também do nível da dívida em relação ao PIB."

"Se o cenário para a política econômica ou o resultado eleitoral se desviar de forma relevante para uma disciplina fiscal mais fraca, especialmente em um ambiente global desafiador, revisaríamos nossa visão", afirmou.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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