EPE busca mecanismos de flexibilidade em renovação de hidrelétricas e novas PCHs
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) está discutindo com o governo oportunidades para agregar mais flexibilidade ao sistema elétrico brasileiro por meio das renovações de concessões hidrelétricas e dos próximos leilões de pequenas usinas (PCHs) da fonte, disse o presidente da instituição, Thiago Prado, nesta terça-feira.
Em evento da consultoria Greener, ele destacou que as hidrelétricas passaram a assumir um papel novo e essencial para a matriz elétrica brasileira nos últimos anos, deixando de só entregar energia e passando a prover potência em momentos cruciais para a operação, garantindo o fornecimento estável e seguro da energia.
Segundo dados da EPE, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, as hidrelétricas são a principal fonte que atende à rampa de carga do sistema elétrico brasileiro, com disponibilidade estimada em torno de 15 gigawatts (GW) variação por hora, podendo ainda ser superior em condições hidrológicas favoráveis.
"A gente tem 19 gigawatts (GW) de contratos de concessão de usinas hidrelétricas vencendo. Isso também se traduz em oportunidades... modernizar essas usinas hidrelétricas, a gente pode agregar também usinas reversíveis colocando mais um reservatório, um reservatório superior, operando com o reservatório das usinas existentes", observou Prado.
As chamadas "usinas reversíveis" são, junto com as baterias, os principais recursos de armazenamento de energia na mira do governo brasileiro para fazer frente ao crescimento das fontes renováveis.
Elas funcionam com dois reservatórios de água, em níveis diferentes. Quando há excesso de oferta de energia no sistema elétrico, a água é bombeada do reservatório inferior para ser armazenada no reservatório superior. Quando a oferta de energia no sistema reduz, principalmente no período da noite, a água armazenada é utilizada para gerar energia.
Prado também defendeu que a contratação compulsória de novas pequenas centrais hidrelétricas, conforme previsto em lei, também deveria prever mecanismos de flexibilidade e operação pelo ONS.
"A gente está discutindo com o ministério (de Minas e Energia) a importância de se colocar uma possibilidade de modulação horária diária para as PCHs. De alguma forma, dado que a legislação fixou que a gente tem que fazer essas contratações, como essas contratações podem acabar contribuindo para resolver esse desafio que a gente tem no curtíssimo prazo?".
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