Entenda os mecanismos financeiros anunciados pelo BID durante a COP-30
Banco Interamericano de Desenvolvimento divulgou pacote para tentar destravar financiamento climático
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou, nesta primeira semana da COP-30, a cúpula da ONU sobre Mudança do Clima, instrumentos financeiros que, juntos, alcançam US$ 6 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões). Em comum, eles devem dar ganho de escala e reduzir de riscos para investimentos.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, disse ver empresas e governos na direção correta para alavancar o financiamento, embora reconheça que há questionamentos sobre a velocidade da implementação das medidas.
Ex-presidente do Banco Central, Goldfajn conta que, dos US$ 6 bilhões, 57% serão liberados por meio de um acordo com o BC para um programa de hedge cambial (mecanismo de proteção financeira que tenta neutralizar riscos de flutuações cambiais). "Estamos trabalhando de uma forma intensa para mitigar o risco cambial."
Confira abaixo os principais mecanismos desenvolvidos pelo BID para apoiar o financiamento climáticos:
Hedge - US$ 3,4 bilhões
Acordo fechado com o Banco Central do Brasil para liberar até US$ 3,4 bilhões em hedge cambial para reduzir o risco de moeda e tentar atrair mais investimento privado em projetos sustentáveis. A iniciativa começa pelo EcoInvest, que oferece instrumentos de proteção contra a volatilidade do câmbio.
Serão beneficiados, especificamente, projetos tidos como estratégicos do pontos de vista econômico e ambiental em áreas como indústria verde, recuperação de biomas, infraestrutura para lidar com os efeitos das mudanças do clima.
O arranjo é baseado em padrões da Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA). O BID vai oferecer derivativos (ativos que estão vinculados a outros ativos) de longo prazo a investidores. O BC brasileiro, por sua vez, conecta o banco a instituições locais para repassar esses instrumentos a menor custo, sem expor seus balanços ao risco cambial.
Pró-Biomas BNDES - US$ 1 bilhão
Foi assinada uma carta de intenções com o BNDES para estruturar um financiamento de US$ 1 bilhão para micro, pequenas e médias empresas que atuam na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga e no Pantanal. Segundo o BID, o programa busca a ampliação do crédito para negócios urbanos e rurais ligados à bioeconomia, à agricultura sustentável e à energia renovável. Cerca de 75% dos recursos serão voltados ao bioma amazônico.
'Amazon Forever for Cities and Resilient Infra' - US$ 1 bihão
Será destinado US$ 1 bilhão de financiamento para cidades em países amazônicos, com condições favoráveis e elevada carência. Batizado de "Infraestrutura Resiliente e Cidades", o projeto está no âmbito do Programa Amazônia Sempre, do BID. Serão três pilares: segurança hídrica, energia limpa e infraestrutura urbana resiliente.
O mecanismo responde ao fato de que mais de 70% da população amazônica viver em cidades com déficits de água, saneamento, energia, mobilidade e gestão de riscos.
Energia limpa - US$ 800 milhões
Ao lado do Fundo de Impacto da Dinamarca, da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norda) e da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (Sida), o BID assinou uma carta de intenções para viabilizar uma nova garantia que deve liberar cerca de US$ 800 milhões em capacidade adicional de crédito para projetos de energia limpa nos programas Amazônia Sempre e América no Centro.
A parceria amplia, segundo o banco, o espaço para financiar acesso à energia, modernização de redes, transporte sustentável e tecnologias emergentes na Amazônia e na América Central.