Eneva mira nova planta de gás natural em pequena escala para transporte pesado
Empresa planeja fornecer combustível à logística do agronegócio em áreas dos Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia
RIO - Após aumentar o contrato de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) para caminhões à empresa de logística VirtuGNL, a Eneva ocupou toda a capacidade da planta voltada ao negócio no Complexo do Parnaíba. Agora mira uma segunda unidade do tipo para aumentar a base de clientes. Maior fabricante privada de gás natural do País, o GNL "small scale" da Eneva já alimentava plantas da Vale e da Suzano.
"Para viabilizar o avanço do negócio de GNL small scale, já estamos avaliando a possibilidade de ampliar a capacidade instalada no Parnaíba", diz o diretor de Marketing, Comercialização e Novos Negócios da Eneva, Marcelo Lopes.
A planta da Eneva responsável por receber o gás natural, tratar, liquefazer, armazenar e carregar os volumes em carretas criogênicas de transporte começou a operar em novembro de 2024 e tem capacidade de 600 mil m3/dia, agora totalmente ocupada.
"Com esse 'soldout' da capacidade da planta, abrimos um novo ciclo de investimentos voltado à expansão do negócio de GNL em pequena escala para regiões não atendidas pela malha de gasodutos", afirma Lopes.
Ele afirma que os contratos firmados até aqui demonstram que é possível escalar a solução de GNL para transporte pesado a fim de capturar uma parte do mercado hoje movimentado com diesel no Maranhão e estados contíguos. A Eneva planeja, sobretudo, fornecer combustível à logística do agronegócio.
Contrato ampliado
Como mostrou o Estadão/Broadcast, o novo contrato com a VirtuGNL vai até o fim de 2034 e mais do que quadruplica o fornecimento de GNL pela Eneva, que passa de 35 mil metros cúbicos por dia (Nm³/dia) para 150 mil Nm³/dia. A VirtuGNL tem ainda a prerrogativa de aumentar esse volume contratado com a Eneva em 600 mil m³/dia adicionais, em linha com o crescimento do negócio.
Esse gás natural liquefeito já vai atender à demanda no chamado Matopiba, que reúne áreas do agronegócio nos Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A parceria de Eneva e VirtuGNL viabiliza o que a empresa tem chamado de "corredores verdes" para transporte pesado no País. O projeto substitui caminhões a diesel por veículos a GNL, e já oferece soluções menos poluentes de transporte para empresas como Vale, Suzano, Yara, Vibra e Cofco.
Potencial e descarbonização
"O consumo diário de diesel no transporte pesado no Matopiba equivale a cerca de 9 milhões de metros cúbicos de gás natural. A conversão de apenas 10% desse mercado para GNL representaria um consumo diário de quase 1 milhão de metros cúbicos de gás, consolidando o papel do GNL como solução estratégica para descarbonizar o setor logístico no Brasil", diz em nota a Eneva.
Ainda segundo a fabricante, o uso de GNL em veículos pode reduzir entre 20% e 30% as emissões de dióxido de carbono (CO2) e praticamente eliminar a emissão de particulados e óxidos de enxofre (NOX) na comparação com outros fósseis como o diesel comum.