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Endividamento do governo volta a subir e atinge 82,5% do PIB, maior patamar desde abril de 2021

Em valores nominais, a dívida bruta do governo passou de R$ 10,809 trilhões em junho para R$ 10,947 trilhões em julho

31 ago 2026 - 10h24
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Resumo
A dívida bruta do governo brasileiro subiu para 82,5% do PIB em julho, atingindo R$ 10,947 trilhões, o maior patamar desde abril de 2021, segundo dados do Banco Central. A dívida líquida também avançou, chegando a 69,1% do PIB. Apesar do aumento no endividamento, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,361 bilhão no mês, puxado pelo governo central. No acumulado em 12 meses, as contas públicas registram um déficit primário de R$ 89,320 bilhões, equivalente a 0,67% do PIB.

BRASÍLIA - O endividamento público segue em trajetória da alta. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira, 31, a dívida bruta do governo passou de 81,9% do PIB em junho para 82,5% em julho. É o nível mais alto desde abril de 2021, quando estava em 82,6% do PIB. Em valores nominais, a dívida passou de R$ 10,809 trilhões para R$ 10,947 trilhões.

O pico da série foi em dezembro de 2020 (87,6% do PIB), por conta das medidas fiscais do início da pandemia de covid-19. No nível mais baixo, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB.

Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), que é diferente do utilizado pelo BC, a dívida bruta caiu de 95,8% do PIB em junho para 95,4% no mês passado.

Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) - que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o BC e as empresas estatais - é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.

Por sua vez, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) - que leva em conta as reservas internacionais do Brasil - aumentou de 68,5% do PIB em junho para 69,1% em julho. Em reais, atingiu R$ 9,165 trilhões.

Superávit primário em julho

Os números apresentados nesta segunda-feira pelo BC também apontam que o setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras) teve superávit primário de R$ 1,361 bilhão em julho, após déficit de R$ 55,313 bilhões em junho. Em julho de 2025, o resultado foi deficitário em R$ 66,566 bilhões.

No mês passado, o governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve superávit primário de R$ 10,975 bilhões, segundo a metodologia da autoridade monetária. Já Estados e municípios tiveram resultado negativo de R$ 8,502 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram déficit de R$ 1,112 bilhão. Isoladamente, os Estados tiveram déficit de R$ 6,880 bilhões, e os municípios registraram resultado negativo de R$ 1,623 bilhão.

No acumulado em 12 meses encerrados em julho, o setor público consolidado tem déficit primário de R$ 89,320 bilhões, o equivalente a 0,67% do PIB. O saldo se tornou menos negativo na comparação com junho, quando o rombo era de 1,19% do PIB. É o menor déficit como proporção do PIB desde fevereiro de 2026 (0,41%).

O governo central tem déficit primário acumulado de R$ 72,403 bilhões, ou 0,55% do PIB. Estados têm déficit de R$ 16,824 bilhões (0,13% do PIB), e os municípios, saldo positivo de R$ 7,488 bilhões (0,06% do PIB). As empresas estatais têm déficit de R$ 7,580 bilhões, ou 0,06% do PIB.

Estadão
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