Endividamento das famílias sobe a 49,9% em fevereiro e iguala recorde, aponta BC
Resultado repete pico histórico da série, que havia sido atingido em julho de 2022; comprometimento de renda das famílias subiu para 29,7%
BRASÍLIA - O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu 49,9% em fevereiro, ante 49,8% em janeiro (revisado de 49,7%), informou o Banco Central nesta segunda-feira, 27. O resultado se iguala ao então pico histórico da série, que havia sido atingido em julho de 2022 (49,9%).
Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 31,3% em janeiro para 31,4% em fevereiro.
O comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu de 29,5% (revisado, de 29,3%) para 29,7%. Sem contar os empréstimos imobiliários, passou de 27,2% (revisado, de 27,1%) para 27,4%.
Consignado privado
As concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado subiram 52% em março, na comparação com fevereiro, segundo o Banco Central. O montante passou de R$ 7,146 bilhões para R$ 10,864 bilhões no período.
O saldo da modalidade cresceu 10,1% em março, para um total de R$ 101,591 bilhões. Os números refletem principalmente o comportamento do novo modelo de consignado privado, o Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo no fim de março de 2025.
A taxa média de juros do consignado privado caiu de 59,4% em fevereiro para 56,8% em março. O governo espera que, com o Crédito do Trabalhador, o tomador migre para linhas com taxas mais baixas. O comportamento dos juros no consignado privado, porém, tem registrado alta neste primeiro momento, refletindo a adaptação de instituições financeiras à modalidade e o interesse pelo segmento.
Rotativo do cartão de crédito
O juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu de 435,9% ao ano em fevereiro para 428,3% em março, informou o Banco Central.
A taxa do parcelado caiu de 196,5% (revisado, de 200,2%) para 192,1%. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado diminuiu de 95,8% (revisado, de 96,4%) para 93,2%.
O Congresso definiu em lei que os juros do rotativo e do parcelado não poderiam ultrapassar 100% do principal da dívida. O teto para os juros e encargos da modalidade passou a valer em janeiro de 2024.
As taxas apresentadas pelo BC podem sugerir que os bancos estejam descumprindo a lei, mas o que acontece é apenas um registro estatístico. Para chegar às taxas anuais, a autoridade monetária extrapola o juro cobrado ao mês pela instituição financeira para o ano. Essa taxa nem sempre é efetivada, já que os consumidores normalmente ficam "pendurados" no cartão por apenas dias ou semanas.
O BC não pretende descontinuar essa série histórica, que serve como referência para mostrar a velocidade de aumento ou redução dos juros e também é um dos componentes para se chegar à taxa cobrada pelo sistema como um todo.
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