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Embraer pagou US$ 80 milhões em tarifas aos EUA e estuda possibilidade de pedir reembolso

Apesar de decisão da Suprema Corte americana que barrou política de Trump, companhia diz que situação tarifária ainda gera incertezas

6 mar 2026 - 11h36
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A Embraer pagou US$ 80 milhões em tarifas de exportação aos Estados Unidos, segundo o CFO da companhia, Antonio Carlos Garcia. As cobranças tiveram início em abril de 2025 e foram interrompidas no mês passado.

Do montante total, cerca de 85% estava relacionado ao segmento de Aviação Executiva da companhia. A parcela restante foi referente à área de Serviços e Suportes da Embraer, ainda segundo Garcia.

Na área de Aviação Executiva, as tarifas de importação totalizaram US$ 27 milhões durante o quarto trimestre de 2025. No acumulado do ano, foram US$ 54 milhões, de acordo com o release de resultados.

Apesar da interrupção das cobranças no final de fevereiro, o executivo ressaltou que a situação tarifária ainda gera incertezas. "Voltamos a zero, mas o que vai acontecer daqui para frente está muito nebuloso", disse durante teleconferência de resultados nesta sexta-feira, 6.

Sobre a possibilidade de reaver as tarifas pagas, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, informou que a companhia ainda está estudando o próximo passo.

"Estamos acompanhando a situação para entender o que os nossos pares vão fazer e que resultado eles vão conseguir disso para, então, definirmos o nosso movimento."

Motores e peças isentos

O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, confirmou que todos os motores e peças de aeronaves da fabricante estão isentos da tarifa de 10% imposta pelos Estados Unidos.

"Vemos com bons olhos a igualdade de condições em nosso setor, já que a Embraer era a única fabricante a pagar tarifas sobre exportações de aeronaves", afirmou o executivo durante a teleconferência.

O CEO destacou que a empresa ainda tem alguns estoques nos EUA nos quais incidirão as tarifas. "Mas lidaremos com isso ao longo do ano e isso já está incluído em nossas projeções", reforçou.

A expectativa de Gomes Neto é que a medida favoreça não só a companhia, mas também seus clientes norte-americanas. "As companhias aéreas poderão manter seus planos de renovação de frotas e nós continuaremos comprando muitas peças americanas", disse.

Ao ser questionado sobre a participação da Embraer nas negociações com o governo americano sobre a tarifa, o CEO afirmou que a fabricante acompanhou o processo, mas não teve uma interferência direta nos diálogos.

Crise no Oriente Médio

Gomes Neto afirmou ainda não ver um impacto direto da crise no Oriente Médio para a companhia no curto prazo. "Nosso foco principal é com nossos funcionários que estão na região, mas estamos também monitorando fornecedores diretos e indiretos", afirmou.

Até o momento, no entanto, a companhia não enxerga nenhum caso crítico que possa comprometer as entregas ou as vendas no curto prazo, ainda segundo o CEO.

"O plano é seguir monitorando para conseguirmos tomar ações de mitigação em tempo para que possamos entregar tudo que estamos anunciando para este ano", finalizou.

Cadeia de suprimentos

Apesar de identificar avanços recentes, a Embraer ainda aponta gargalos na cadeia de suprimentos. Contudo, a expectativa é que 2026 seja melhor em relação ao ano anterior, segundo Gomes Neto.

"Em 2025, tivemos alguns problemas na cadeia de suprimentos, mas mesmo assim, como empresa, conseguimos superá-los e entregar as aeronaves dentro do prazo", afirmou.

Olhando para 2026, ele disse estar confiante de que a empresa conseguirá novamente cumprir com os seus compromissos de entrega.

Do ponto de vista de matéria-prima, o CEO afirmou que esse tema não tem sido uma preocupação para a companhia. "Temos algumas dificuldades, mas essa não é uma delas. Estamos bem confortáveis com o fornecimento da matéria-prima e com os estoques."

Crescimento sustentável

A receita e a carteira de pedidos recordes reportadas pela Embraer em 2025 apoiam o crescimento sustentável da companhia, na avaliação do CEO.

"O ano de 2025 foi um ano memorável para a companhia e consolidou a nossa estratégia em todas as linhas de negócios", reforçou.

A Embraer reportou R$ 41,9 bilhões (US$ 7,6 bilhões) em receitas em 2025, o maior nível anual de todos os tempos e acima do limite superior das estimativas anuais. A empresa projetava uma cifra de US$ 7 bilhões a US$ 7,5 bilhões para o ano passado.

Já a carteira de pedidos firmes atingiu US$ 31,6 bilhões no quarto trimestre de 2025. O desempenho também representa um recorde histórico, com alta de mais de 20% em relação ao ano anterior.

"Apesar de desafios e volatilidade, os da resultados companhia vieram em linha com compromissos", acrescentou o CFO da Embraer, Antonio Garcia.

O fluxo de caixa livre ajustado foi mais um indicador a superar as estimativas, atingindo US$ 491 milhões no acumulado do ano. A fabricante havia estabelecido o guidance de US$ 200 milhões ou mais.

Estadão
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