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Embraer entrega avião de US$ 39 mi para linha aérea argentina

21 set 2010 - 08h24
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Maurício Boff

Direto de Buenos Aires

A brasileira Embraer entregou os dois primeiros modelos do pacote de 20 aviões E-190 AR (Advanced Range, na sigla em inglês) à empresa Aerolíneas Argentinas e Austral Linhas Aéreas. Cada aeronave deste tipo tem valor aproximado de US$ 39 milhões, segundo a Embraer.

A cerimônia aconteceu no setor militar do Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, no início da noite desta segunda-feira e contou com a presença presidente argentina Cristina Kirchner.

O presidente do grupo, Mariano Recalde, celebrou a entrega como um passo fundamental para a concretização do "grande projeto" que é fazer a companhia aérea ter "a frota mais moderna da América Latina até a metade do próximo ano".

As aeronaves foram encomendadas em maio de 2009. Na ocasião, a previsão era de que a primeira entrega ocorresse em abril deste ano. "Esta é a maior compra de aviões em 60 anos de história da aviação civil e comercial argentina", afirmou Kirchner.

A fábrica da Embraer em São José dos Campos (SP) irá entregar as aeronaves em lotes separados até a metade de 2011. O modelo E-190 Advanced Range (AR) tem autonomia de vôo de 4.400 km (ou 2.400 milhas náuticas) sem escala. A distância é suficiente para cobrir todo o território argentino e responde ao objetivo da Austral.

As aeronaves têm 96 assentos em duas classes (oito na executiva e 88 na econômica), sendo quatro por fileira com um corredor central. O avião chega a 12.500 m (41.000 pés) de altitude e atinge a velocidade de cruzeiro típica dos modelos de seu porte (ou 0.82 Mach).

Comparados com os modelos norte-americano MD-80, utilizados hoje pela Austral, com o mesmo volume de combustível os modelos produzidos pela fabricante brasileira podem voar até 14 horas diárias contra as oito horas da aeronave da empresa McDonnell Douglas.

Internamente, os aviões são equipados com sistema de entretenimento para os passageiros. "Ali veremos televisão pública, porque nosso governo apoia o que é público", disparou a presidente argentina, lembrando a recente tensão entre o governo central e os principais grupos de comunicação, El Clarín e La Nación.

Aerolíneas

Cristina Fernández de Kirchner recordou o estado sucateado que as duas companhias se encontravam quando o governou decidiu estatizá-las, em junho de 2008. "Houve os que me questionaram, mas o serviço não pode ser interrompido por nenhum problema técnico", disse.

Até junho de 2008, o grupo Aerolíneas Argentinas foi propriedade da espanhola Marsans, empresa que estava no vermelho e era sustentada com a ajuda do governo espanhol. O governo argentino assumiu o passivo sob a ameaça de falência da companhia aérea nacional.

A estatização não a salvou do vermelho. No plano de remodelação do grupo Aerolíneas Argentinas, a meta é que a empresa seja rentável a partir de 2012. Recentemente, o próprio presidente Recalde estimou que as perdas ainda em 2011 chegarão perto dos US$ 200 milhões.

Em seu discurso oficial, Cristina ressaltou que a compra das aeronaves somente foi possível graças à ajuda "de nosso país irmão e maior parceiro Brasil" e da vontade política do presidente Lula.

Apesar de não revelados oficialmente, a compra dos aviões da Embraer foi estimada em 2009 em US$ 700 milhões, e foi financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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AFP
Presidente Cristina Kirchner posa ao lado do presidente das Aerolíneas, Mariano Recalde

Fonte: Invertia Invertia
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