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Embraer assina parceria para instalar fábrica na Índia

Segundo a fabricante brasileira, iniciativa visa atender à demanda interna e gerar empregos nas áreas de engenharia, fabricação, logística e suporte

27 jan 2026 - 08h08
(atualizado às 09h31)
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A Embraer assinou um memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) com a Adani Defence & Aerospace para instalar uma fábrica na Índia onde deverão ser produzidos aviões comerciais. Segundo a brasileira, as empresas planejam cooperar na fabricação de aeronaves, na cadeia de suprimentos, nos serviços de pós-venda e no treinamento de pilotos.

A informação havia sido antecipada pelo Estadão na sexta-feira, 23. Hoje, a Embraer tem fábricas apenas no Brasil e nos Estados Unidos.

Em nota divulgada nesta terça-feira, 27, a fabricante brasileira destaca que a parceria prevê instalar a unidade na Índia com aplicação gradual do conteúdo produzido localmente, apoiando o programa indianos de Aeronaves de Transporte Regional (RTA, na sigla em inglês).

Conforme a Embraer, a iniciativa também se alinha aos programas Aatmanirbhar Bharat (Índia Autossuficiente), que busca fortalecer a capacidade industrial no país, e ao UDAN — política nacional voltada para ampliação da conectividade aérea regional.

Embraer tem atualmente na Índia quase 50 aeronaves operando
Embraer tem atualmente na Índia quase 50 aeronaves operando
Foto: Divulgação/Embraer / Estadão

"A Índia é um mercado crucial para a Embraer, e esta parceria combina nossa experiência no setor aeronáutico com as sólidas capacidades industriais da Adani e seu compromisso com o desenvolvimento da indústria local", destacou, em nora, o presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer.

Para o diretor da Adani Defence & Aerospace, Jeet Adani, com a ampliação da conectividade aérea em metrópoles regionais e cidades menores do país, a criação de uma estrutura robusta para a aviação regional tornou-se ainda mais necessária na Índia. "Essa parceria também fortalecerá as relações estratégicas entre Índia e Brasil, unindo competências complementares dos dois países."

Segundo a Embraer, o ecossistema proposto tem como objetivo atender à demanda interna e gerar um número significativo de empregos diretos e indiretos nas áreas de engenharia, fabricação, logística e suporte. A empresa, no entanto, não divulgou números precisos.

A Embraer tem atualmente na Índia quase 50 aeronaves — distribuídas em 11 modelos — operando nas áreas de Aviação Comercial, de Defesa e Executiva. Na Força Aérea Indiana, destacam-se o Legacy 600 e o "Netra" AEW&C, desenvolvido a partir da plataforma ERJ145. Já a Star Air conta com uma frota de 13 aeronaves, composta pelos jatos E175 e ERJ145.

Desde 2025, a fabricante brasileira de aviões tem divulgado parcerias para ampliar sua atuação no mercado indiano. No fim de maio, a companhia anunciou a criação de sua subsidiária no país e a abertura de um escritório em Nova Délhi.

Cinco meses depois, a empresa assinou um acordo de cooperação estratégica com o grupo Mahindra para fazer a comercialização conjunta, a industrialização e o desenvolvimento na Índia do C-390 Millenium, um avião cargueiro militar.

A Embraer compete, na Índia, para vender de 40 a 80 aviões militares. Para o negócio ser fechado, o governo indiano exige que a brasileira tenha um parceiro local e que a fabricação ocorra em seu território — ainda que peças possam ser importadas do Brasil.

A Adani Defence & Aerospace, do bilionário indiano ?Gautam Adani, é a maior empresa privada integrada de defesa e aeroespacial da Índia. A companhia também promove a fabricação local de aeronaves e Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs).

Sócio controverso

O anúncio da parceria com Gautam Adani vem em um momento delicado. Segundo o jornal inglês Financial Times, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) solicitou, na quarta-feira, 21, a um tribunal de Nova York permissão para entrar em contato diretamente com Adani.

A SEC move um processo contra Gautam e seu sobrinho Sagar Adani por supostamente tentarem subornar autoridades indianas para conseguir contratos de energia solar. Os dois negam qualquer irregularidade. A Embraer não quis comentar o assunto./Com Luciana Dyniewicz

Estadão
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