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Em clima de cautela, juros futuros se ajustam para cima

7 jan 2019
18h57
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As taxas de juros dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) oscilaram em alta durante praticamente toda a segunda-feira, 7, mesmo nos momentos em que o bom humor dos mercados de câmbio e ações mantinham o real e as ações brasileiras valorizados. Com a escassez de notícias novas, o mercado manteve-se em "modo de cautela" ainda com os ruídos do cenário político emitidos na sexta-feira, segundo analistas. A valorização do dólar no período da tarde acabou por consolidar esse viés de alta, enquanto os investidores aguardam novas sinalizações do governo e indicadores econômicos na agenda da semana.

"O estresse da sexta-feira não foi devidamente tratado no final de semana e, com isso, o mercado continua digerindo o 'bate cabeça' no governo. A expectativa do mercado ainda é por uma reforma da Previdência robusta, apesar das declarações do presidente, que aparentemente vieram à revelia de qualquer acordo ou conversa preliminar com sua equipe", disse João Maurício Rosal, economista da Guide Investimentos.

Rosal se referiu às declarações de Bolsonaro feitas na quinta-feira à noite, em entrevista ao SBT, que geraram mal estar no dia seguinte, por sinalizar uma reforma mais branda, com idade mínima inferior à prevista na proposta encaminhada pelo governo Michel Temer. A ideia, no entanto, não foi ratificada pela equipe econômica, bem como o anúncio de elevação de tarifa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). "Mas é por ora um ruído. Não podemos dizer que é mais que isso", disse o economista.

Ao final da sessão estendida, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2020 projetou taxa de 6,59%, ante 6,52% do ajuste de sexta-feira. O vencimento de janeiro de 2021 ficou com taxa de 7,39%, ante 7,27% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2023 projetou 8,47%, de 8,40%. O de janeiro de 2025 teve a taxa elevada de 8,93% para 9,00%.

"A curva curta tem pouquíssimo prêmio, ou até mesmo nenhum, dependendo das apostas de quando começa o aperto do Copom. A ponta longa ainda tem um pouco de prêmio, porém entendemos que ele está muito baixo. Ou seja, seria necessário que houvesse um fluxo de notícias positivas para manter as taxas em baixa. Quando não tiver notícia, como hoje, o mercado vai pedir um pouco mais de prêmio", disse Josian Teixeira, diretor da Lifetime Asset.

Estadão

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