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Dólar fecha sessão em baixa ante o real a despeito de ataque dos EUA à Venezuela

5 jan 2026 - 17h11
(atualizado às 17h29)
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Após atingir o valor máximo da sessão pela manhã, na esteira do ataque dos Estados Unidos à Venezuela no fim de semana, o dólar perdeu força ante o real e fechou a segunda-feira em baixa, refletindo maior acomodação das cotações apesar do cenário geopolítico ‌conturbado no exterior.

Notas de dólar
14/02/2022
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Notas de dólar 14/02/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Foto: Reuters

A moeda norte-americana à vista fechou o dia em baixa de 0,35%, aos R$5,4051.

Às 17h17, o contrato de dólar futuro para ‌fevereiro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,23% na B3, aos R$5,4430.

Na madrugada de sábado, forças norte-americanas atacaram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que foi levado aos EUA para julgamento. A ação, que teve larga repercussão internacional, lançou dúvidas sobre a dinâmica global de produção e venda de petróleo, já que o país sul-americano possui a maior reserva comprovada de óleo do mundo.

Além disso, o ‍ataque acendeu o alerta na América Latina como um todo, em meio às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de ações contra outros países, como a Colômbia e o México.

No campo político, o ataque norte-americano foi interpretado como um possível fator de fortalecimento da direita na América do Sul, em um ano em que haverá eleições no Peru, na Colômbia e ‌no Brasil.

Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,4545 (+0,57%) às 10h33, em ‌um momento em que a moeda norte-americana também sustentava ganhos ante outras divisas pares do real no exterior.

Ao longo da sessão, porém, o dólar perdeu força ante o real e migrou para o território negativo.

"Hoje de manhã teve (movimento de) proteção, mas agora (à tarde) o dólar inverteu e já está no negativo", pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Às 14h58, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,3957 (-0,52%).

A queda do dólar ocorreu em paralelo ao fortalecimento do Ibovespa e à perda de força das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão que acabou sendo positiva para os ativos brasileiros. No exterior, o dia foi de alta firme para os índices de ações e para o petróleo.

"O mercado de câmbio iniciou o dia sob cautela, pressionado pelo risco geopolítico decorrente da prisão de Nicolás Maduro, o que levou à alta do dólar pela manhã", afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

"No entanto, a tendência se reverteu ao longo da sessão, impulsionada pelo bom humor das bolsas globais e pela valorização das commodities, com destaque para o petróleo."

No mercado, uma das percepções era de que a mudança de governo na Venezuela pode impulsionar a produção de petróleo no país latino, o que no longo prazo teria como resultado uma pressão de baixa sobre os preços globais da commodity, com impactos sobre a inflação.

Porém, os efeitos do ataque norte-americano sobre os ativos nesta segunda-feira acabaram diluídos.

"Os impactos no mercado brasileiro (foram) ‌muito pequenos. Lá fora também. No curto prazo, o impacto é mínimo, tanto no Brasil quanto no mundo", opinou Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos.

Às 17h12, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- cedia 0,31%, aos 98,255.

No fim da manhã o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.

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