Dólar fecha estável no Brasil apesar de recuo no exterior
Em mais uma sessão sem gatilhos fortes no noticiário brasileiro, o dólar encerrou a segunda-feira próximo da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou perdas ante a maior parte das demais divisas, após o governo Trump voltar a ameaçar o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, desta vez com uma possível acusação criminal.
O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,11%, aos R$5,3723. No ano, a divisa acumula queda de 2,13%.
Às 17h04, o contrato de dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 0,08% na B3, aos R$5,3975.
No domingo, Powell revelou que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de uma reforma de US$2,5 bilhões na sede da instituição, em Washington.
De acordo com o chair do Fed, "essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua" por taxas de juros mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre a instituição.
A ameaça a Powell conduzia nesta segunda-feira a queda do dólar ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra, o franco suíço e a maior parte das moedas de países emergentes.
Neste cenário, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,3489 (-0,33%) às 9h02, logo após a abertura do mercado, mas depois a moeda se recuperou no Brasil.
"A abertura (do dólar) para baixo estava em linha com o exterior. Maior parte das divisas emergentes (está) se valorizando perante o dólar, embora o ambiente inspire muito cuidado ainda", comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. "Depois (o dólar) voltou para o plano positivo aqui", acrescentou.
Segundo Bergallo, a queda acumulada do dólar, de cerca de 2% desde o início de 2026, abria "alguma possibilidade de realização", justificando cotações mais altas.
Na maior cotação do dia, às 11h05, o dólar à vista atingiu R$5,3879 (+0,40%), para depois retornar para perto da estabilidade.
"Embora o índice DXY (índice do dólar) esteja em queda, a princípio o cenário doméstico não traz nada específico para justificar a desvalorização do real em relação ao dólar, ao que parece ser apenas uma pontual saída de capital", disse no início da tarde Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
"O Brasil ainda negocia em um ambiente de liquidez reduzida, operando no patamar entre R$5,35-R$5,40, com baixa amplitude de preço e poucos catalisadores domésticos", acrescentou.
No noticiário local, destaque apenas para o encontro entre representantes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU), para discutir o caso do Banco Master.
Após a reunião, o presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, afirmou ter sido informado pelo BC que é "muito importante" que o órgão faça inspeção na autoridade monetária sobre a liquidação do banco. Segundo ele, a inspeção pelo TCU será feita com interlocução entre os dois órgãos.
Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim de 2026 e de 2027 seguiu em R$5,50. Já a inflação esperada para 2026 passou de 4,06% para 4,05% e para 2027 seguiu em 3,80%.
A taxa básica Selic para o fim deste ano continuou em 12,25% e para o final do próximo ano permaneceu em 10,50%.
O diferencial entre a taxa de juros norte-americana, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, e brasileira, que está em 15%, vem sendo apontado como um fator de atração de recursos para o Brasil, mantendo o dólar em níveis mais distantes dos R$6,00 nos últimos meses.
Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,37%, a 98,865.