Dólar cai para perto dos R$5,15 em dia de alta do petróleo
O dólar fechou em queda de 0,54% nesta terça-feira, cotado a R$ 5,1533, acompanhando a alta do petróleo no exterior devido a tensões no Oriente Médio e o avanço de ativos brasileiros. Apesar da pressão inicial de alta pelos dados do PIB e a expectativa de corte da Selic, a moeda perdeu força. No cenário doméstico, o mercado também monitorou notícias sobre mensagens da Polícia Federal que citam o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem impacto direto no câmbio.
O dólar fechou a terça-feira em queda no Brasil e novamente próximo dos R$5,15, em mais um dia de alta do petróleo no exterior, em meio ao conflito no Oriente Médio.
O movimento cambial esteve em sintonia com o avanço do Ibovespa e com a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros.
O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,54%, aos R$5,1533. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,12%.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,55% na B3, aos R$5,1910.
A divisa norte-americana chegou a sustentar alguns ganhos ante o real no início do dia, após dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre reforçarem a percepção de que o Banco Central caminha para promover novos cortes da Selic, hoje em 14%, no curto prazo. Com uma taxa de juros mais baixa, em tese o Brasil se torna menos atrativo para capital internacional.
Ainda durante a manhã, no entanto, o dólar perdeu força e migrou para o território negativo ante o real, em sintonia com o movimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes e o avanço do petróleo Brent no exterior. Como exportador de petróleo, o Brasil tende a receber mais dólares com o aumento dos preços da commodity.
Por trás da alta do petróleo estava novamente o conflito no Oriente Médio. Após Teerã fazer um apelo para que Washington cumpra o acordo provisório de julho, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o mais recente ataque ao Irã foi "justificado", ameaçando realizar ações mais intensas se houver retaliação.
Depois de marcar a cotação máxima de R$5,2018 (+0,39%) às 9h11, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1377 (-0,84%) às 14h17, em um momento do dia em que parte das atenções se voltaram para o noticiário interno.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deram conta de supostos pedidos de ajuda dele ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, Vorcaro era alvo de investigações por fraude no Banco Master e tentava evitar a prisão.
Há ainda supostos diálogos que sugerem que Moraes teria revisado previamente contrato a ser assinado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro, segundo a imprensa.
Moraes descartou qualquer impedimento para que o escritório de advocacia liderado pela esposa firmasse um contrato para prestar consultoria jurídica ao Banco Master, disse o escritório de advocacia em nota divulgada nesta terça-feira.
"É difícil neste momento projetar o impacto político e, consequentemente, o impacto no mercado das notícias sobre Moraes", comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. "(Mas isso) vai ser explorado pela campanha do (senador) Flávio Bolsonaro", opinou.
Flávio (PL-RJ), atualmente o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Planalto, é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no Supremo do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No exterior, o dólar exibia no fim da tarde sinal positivo ante a maior parte das divisas, na esteira do avanço do petróleo. Às 17h26, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,27%, a 99,681.
(Edição de Isabel Versiani)
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