Taxas dos DIs caem após PIB revelar retração do consumo das famílias
As taxas dos DIs caíram nesta terça-feira após o PIB registrar recuo de 0,4% no consumo das famílias no segundo trimestre. O dado de desaceleração econômica reforçou as expectativas do mercado por cortes graduais da Selic pelo Banco Central. O movimento dos juros futuros no Brasil ocorreu na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries subiram impulsionados pelo avanço do petróleo e pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em baixa após dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrarem retração no consumo das famílias no Brasil, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries avançaram em meio às preocupações com o conflito no Oriente Médio.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,745%, com baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,815% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,5%, com recuo de 9 pontos-base ante 14,594%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB subiu 0,5% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 2,0%. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters projetavam alta de 0,4% na margem e de 1,8% na comparação anual.
A desaceleração do PIB ocorreu em meio à retração de 0,4% no consumo das famílias no segundo trimestre, a primeira queda em três trimestres, após expansão de 0,8% nos primeiros três meses do ano.
O resultado reforçou a percepção no mercado de que o Banco Central caminha para promover mais cortes da taxa Selic, hoje em 14,00%.
"Dá para continuar cortando devagarzinho, de forma gradual, com parcimônia", avaliou Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, durante evento pela manhã em São Paulo, destacando a fraqueza do consumo das famílias.
"Ao mesmo tempo, temos choques de custo muito relevantes. Vale o BC ser cauteloso, esperar esses choques passarem, se consolidarem neste cenário eleitoral. Aí sim (o BC) vai encontrar espaço mais claro para redução de taxas de juros", avaliou Megale.
No campo eleitoral, destaque para as notícias em torno da relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
Mensagens extraídas do celular do banqueiro pela Polícia Federal deram conta de supostos pedidos de ajuda de Vorcaro, alvo de investigações, a Moraes. Há ainda supostos diálogos que sugerem que Moraes teria revisado previamente contrato a ser assinado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro, segundo a imprensa.
Moraes descartou qualquer impedimento para que o escritório de advocacia liderado pela esposa firmasse um contrato para prestar consultoria jurídica ao Banco Master, disse o escritório de advocacia em nota divulgada nesta terça-feira.
Neste cenário, após a máxima de 13,845% (+3 pontos-base) às 9h, na abertura do mercado, a taxa do DI para janeiro de 2028 perdeu força gradativamente na esteira dos dados do PIB, até marcar a mínima de 13,73% (-9 pontos-base) às 13h07 -- início da tarde, quando o noticiário sobre as relações entre Vorcaro e Moraes se intensificou.
Na ponta longa da curva, após marcar a máxima de 14,665% (+7 pontos-base) às 9h13, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 14,46% (-13 pontos-base) às 11h02 e às 13h09.
Operador ouvido pela Reuters pontuou que investidores estrangeiros atuaram de forma intensa na venda de taxas longas, acrescentando que "cada notícia que sai, eles vendem mais".
O recuo das taxas futuras no Brasil ocorreu na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries avançaram em paralelo à alta do petróleo Brent, que voltou a superar os US$95 o barril. Por trás do movimento estava novamente o conflito no Oriente Médio.
Após Teerã fazer um apelo para que Washington cumpra o acordo provisório de julho, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o mais recente ataque ao Irã foi "justificado", ameaçando realizar ações mais intensas se houver retaliação.
Às 16h43, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 4 pontos-base, a 4,798%.
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