Dólar bate R$ 5,00 afetado por exterior, Ptax e temor com inflação e política
O dólar à vista retomou o patamar de R$ 5,00 e bateu máxima a R$ 5,0114 (+1,41%) de forma pontual há pouco. O ajuste de alta precificou a ampliação do ganho da moeda americana no exterior, diante da cautela com o mercado de trabalho americano, após revisão para baixo da estimativa de geração de empregos em maio nos EUA, de 978 mil para 886 mil, e em virtude também de pressão exercida por investidores comprados em contratos cambiais, que defendem a alta das cotações, afirma o estrategista Jefferson Laatus, do grupo Laatus.
Os "comprados" (apostaram na alta do dólar) atuam para fortalecer a última Ptax de junho e do primeiro semestre hoje, diminuindo assim a desvantagem acumulada ante os "vendidos" (apostaram na queda das cotações) no mês, explica.
Mesmo com o salto hoje, o dólar à vista acumula perdas de cerca de 4,25% em junho.
Para Laatus, o cenário local não traz noticias boas, com a crise hídrica gerando expectativas de mais a inflação e o problema político ameaçando atrasar o andamento de reformas no Congresso.
"Se a crise política se ampliar e chegar ainda mais perto de Bolsonaro, pode atrasar a tramitação de pautas importantes no Congresso, como as reformas tributária e administrativa, e o governo poderá precisar gastar capital político, uma vez que poderá aumentar a pressão do "toma lá, da cá" por parte do Centrão para continuar apoiando o governo", avalia o estrategista.
Laatus acrescentou que os dados internos já divulgados - taxa de desemprego no trimestre até abril e setor público consolidado - ficam em segundo plano porque vieram dentro do esperado pelo mercado.
Às 10h42, o dólar á vista desacelerava, cotado a R$ 4,9975 (+1,13%). O dólar para agosto subia 0,81%, a R$ 4,9960, após tocar máxima a R$ 5,0075.