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Dólar fecha perto dos R$5,20 após discurso duro de Warsh sobre inflação nos EUA

28 ago 2026 - 17h12
(atualizado às 17h23)
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Resumo
O dólar fechou em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,1961, impulsionado pelo discurso duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, sinalizando possíveis altas nos juros dos EUA caso a inflação persista. A valorização global da moeda americana foi reforçada pela fraqueza nos dados de emprego do Caged no Brasil, que vieram abaixo do esperado e consolidaram as apostas de novos cortes na taxa Selic pelo Banco Central, reduzindo a atratividade do diferencial de juros local.

O dólar fechou a sexta-feira em alta no ‌Brasil após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá "trabalho a fazer" caso a inflação dos EUA siga acima da meta.

Após superar os R$5,23 durante a sessão, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$5,1961, com alta de 0,62%. Na semana, a divisa acumulou elevação de 1,06% e, ⁠no ano, queda de 5,34%.

Às 17h11, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no ‌mercado brasileiro -- subia 0,67% na B3, aos R$5,1995.

Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou no fim da manhã que o Fed "terá trabalho a fazer" se seus ‌membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente ‌dos EUA está voltando à meta de 2%.

"Este é o meu critério: devemos estar ⁠confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho... nosso mandato... e nossa responsabilidade", disse Warsh.

Os comentários foram a senha para que os rendimentos dos Treasuries subissem, com os investidores globais elevando as apostas de que o Fed ‌poderá elevar os juros em setembro.

Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ‌ante boa parte das demais ⁠divisas, incluindo moedas pares ⁠do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.

Após marcar a menor cotação ⁠do dia de R$5,1581 (-0,12%) às 9h02, logo após ‌a abertura da sessão, o dólar ‌à vista atingiu o pico de R$5,2315 (+1,30%) às 13h18, já depois da fala de Warsh.

O nível da taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos de investimentos globais, incluindo para o Brasil, o que ⁠se reflete na taxa de câmbio.

Com a Selic em 14% no Brasil, ainda bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, o diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o país. Hoje o cenário é um pouco diferente ‌diante da possibilidade de alta de juros nos EUA e da perspectiva de novas baixas no Brasil.

"A moeda americana se valoriza não só contra o real, mas praticamente em relação ⁠a todas as divisas do mundo. Isso porque se o Fed sobe juros e tem esse tom mais 'hawkish', a tendência é o fluxo de capital se concentrar na economia americana, valorizando o dólar", resumiu Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.

A perspectiva de novos cortes da Selic, aliás, foi ampliada no início da tarde. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que seriam divulgados apenas às 14h30, vazaram bem antes disso e apontaram a criação de 58.568 vagas formais em julho. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam 112.000 novas vagas.

Os números reforçaram no mercado a leitura de que o Banco Central cortará a Selic em setembro, podendo promover nova redução também em novembro.

No exterior, às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,57%, a 99,668.

(Edição de Isabel Versiani)

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