País gera 58,6 mil postos de trabalho formais em julho
Foi o pior resultado para um mês neste ano de 2026 e o pior julho desde 2019
O Brasil abriu 58.568 postos de trabalho formais em julho de 2026, marcando o pior resultado do ano e o pior julho na série do Novo Caged. O saldo positivo foi impulsionado pelo setor de serviços (+24.098 vagas), enquanto o comércio registrou fechamento de 2.056 postos devido aos juros altos e mudanças no consumo. No acumulado do ano, foram criadas 972.203 vagas, uma queda de 20,9% em relação a 2025, e o salário médio real de admissão subiu 0,6% no mês, alcançando R$ 2.419,23.
BRASÍLIA - O mercado de trabalho brasileiro abriu 58.568 postos de trabalho em julho, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Os números vazaram no site minutos antes da divulgação oficial pela pasta.
Foi o pior resultado para um mês neste ano de 2026. Também foi o pior julho desde 2019, o pior da série atual do Novo Caged, iniciada em 2020.
O saldo do mês passado é resultado de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos. Em junho deste ano, o saldo foi positivo em 137.044 vagas, já incorporando os ajustes na série. Já em julho de 2025, o saldo foi de 133.932 novos postos de trabalho.
Quatro dos cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas tiveram criação de novos postos de trabalho em julho.
Como de costume, o saldo mais positivo foi registrado no setor de serviços, que abriu 24.098 vagas em julho. Em seguida, aparecem construção (12.691), agropecuária (12.523) e indústria (11.315). Apenas o comércio teve saldo negativo, com o fechamento de 2.056 vagas.
Em julho, 22 das 27 Unidades da Federação tiveram saldo positivo no mercado de trabalho. Lideram o ranking, em números absolutos: São Paulo (17.814 vagas), Mato Grosso (5.766) e Minas Gerais (5.199). Na ponta oposta, aparecem: Espírito Santo (-2.605 postos), Rio Grande do Sul (-903) e Tocantins (-366).
O salário médio real de admissão passou de R$ 2.404,10 em junho para R$ 2.419,23 em julho, uma alta de R$ 15,13 (0,6%). Frente ao mesmo mês do ano anterior, o que desconta mudanças decorrentes da sazonalidade do mês, o salário de julho aumentou R$ 48,38 (2,04%).
Acumulado do ano
No acumulado de janeiro a julho de 2026, foram gerados 972.203 postos de trabalho no País. É o menor saldo do Caged para o período desde 2020, quando foram fechados 1.398.484 de postos formais de trabalho em meio à pandemia da Covid-19. Na comparação com janeiro a julho de 2025, o resultado representa uma queda de 20,9%.
No acumulado do ano, quatro dos cinco grandes setores da atividade tiveram saldos positivos: serviços (+591.519), construção (+180.449), indústria (+154.052) e agropecuária (+54.106). Em contrapartida, o saldo do comércio foi negativo em 7.896 vagas.
São Paulo é o Estado com mais postos formais criados em números absolutos, com saldo positivo de 267.107 no acumulado do ano. Em seguida, aparecem Minas Gerais (+113.981) e Paraná (+68.243).
Na outra ponta, os menores saldos acumulados no ano são Roraima (+2.308), Rio Grande do Norte (+1.822) e Alagoas (-6.983).
Varejo
O secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Francisco Macena, disse nesta sexta-feira que o varejo vem sucessivamente perdendo postos de trabalho, resultado que ele atribuiu a uma combinação de fatores, puxada pelos juros. Macena comentou os resultados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho de 2026 no lugar do ministro Luiz Marinho.
"A taxa de juros é um fator que tem afetado objetivamente os postos de trabalho no comércio, isso inibe dois movimentos, que é o crédito, a compra, propriamente dita do ponto de vista do consumidor, e também o impacto dos investimentos feitos", analisou.
O secretário executivo também pontuou que há uma mudança da atividade do varejo, com um direcionamento cada vez maior para o comércio virtual, com o crescimento das lojas online. "Recebemos no Ministério do Trabalho e Emprego demandas desse setor para intermediação de empregabilidade, que tem aumentado no setor das lojas virtuais."
Ele citou os casos recentes das Casas Bahia e das Lojas Americanas para dizer que a recuperação das vendas pode vir das lojas físicas mais do que das virtuais. "Eu acredito que é um reposicionamento momentâneo que o varejo vai ter que passar, e não acredito que isso seja uma crise mais estrutural."
Sobre a estimativa para o saldo final do ano, Macena observou que o crescimento econômico teve uma desaceleração. "Vamos ter a expectativa de agosto, setembro, outubro e novembro, como é que vai se dar o crescimento. Todos nós sabemos que novembro e principalmente dezembro são meses negativos para nós, na geração de empregos, e vamos acompanhar com expectativa que o cenário econômico também mude um pouco nesse período."
A respeito do vazamento de dados do Caged - que foram divulgados às 13h24 no site da pasta -, o número dois do Ministério do Trabalho afirmou que também quer saber o que motivou o erro. "Nós vamos procurar entender de onde saiu esse vazamento. A gente tomou todas as medidas, como sempre, para que isso não pudesse ocorrer. Já tinha ocorrido lá no passado, a partir daí corrigimos até os horários em que divulgaríamos o resultado do Caged", argumentou.
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