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Do campo à energia: setor privado impulsiona soluções para a sustentabilidade no Brasil

Mas ainda há gargalos que precisam ser enfrentados para o País não perder oportunidades na transição energética

18 set 2025 - 18h06
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O embaixador André Aranha Corrêa do Lago, presidente designado da COP-30, reunião climática anual da ONU que vai começar no dia 10 de novembro, em Belém, não deixou dúvidas em sua sétima carta destinada especialmente ao setor privado. "O momento de agir com urgência é agora. O setor privado já acelerou a transição de maneiras significativas, mas agora precisa avançar ainda mais, aumentando seu engajamento para tornar essa transformação uma realidade exponencial", afirmou o diplomata no documento, forma tradicional de comunicação do presidente anual da reunião com a sociedade.

Os exemplos positivos em curso, seja no agro ou no setor energético, são vários, como lembra Lago. Alguns deles foram apresentados durante o Fórum Estadão Economia Verde, realizado no Teatro Cultura Artística, no centro da capital paulista, nesta quinta-feira, 18. No caso da produção agrícola, há unanimidade sobre o papel central que o produtor, sempre na ponta da cadeia, desempenha. Isso significa, portanto, entender os problemas que ele enfrenta com o intuito de solucioná-los.

A diretora de sustentabilidade da JBS, Liège Correia e Silva, detalhou, por exemplo, a preocupação da empresa em facilitar o acesso de pequenos produtores rurais ao crédito. "Muitas vezes, a questão já para aqui. Sem uma área regularizada, os produtores não conseguem acessar as vias de financiamento", afirmou a executiva.

Um mapeamento do grupo identificou que 15% de um universo de 110 mil propriedades rurais espalhadas pelo Brasil não atendem plenamente às exigências legais e, por isso, não conseguem o dinheiro.

Por isso, a empresa resolveu criar um programa, com oferta de suporte técnico, para os produtores poderem corrigir as diversas irregularidades legais encontradas e, dessa forma, dedicar-se à produção.

"Lembrando que a área é do produtor e ninguém pode dizer o que ele vai fazer com ela. Mas, se antes havia demora de anos na fila para obtenção de crédito, conseguimos reduzir esse prazo para aproximadamente oito meses em algumas regiões, o que ainda é bastante", explica Correia e Silva. Pelos números apresentados durante o evento, 20 mil propriedades — em um universo de aproximadamente 7 milhões — já foram regularizadas com a iniciativa do setor privado.

Exemplos positivos em curso, seja no agro ou no setor energético, são vários. Alguns deles, inclusive, foram apresentados durante o Fórum Estadão Economia Verde
Exemplos positivos em curso, seja no agro ou no setor energético, são vários. Alguns deles, inclusive, foram apresentados durante o Fórum Estadão Economia Verde
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Do campo para a geração de energia, entraves para a entrada dos biocombustíveis como fonte energética prioritária para o Brasil também estiveram na pauta dos debates do Fórum Economia Verde. Um dos nós que preocupa o setor é a retirada dos biocombustíveis como insumo energético para movimentar as térmicas.

O tema faz parte do novo leilão de reserva de capacidade para contratar usinas térmicas e hidrelétricas que o governo colocou em discussão. Depois de não ter sido realizado em junho de 2025, a expectativa agora é que o certame ocorra no primeiro trimestre de 2026. O objetivo da iniciativa é garantir segurança no fornecimento de energia diante da intermitência das fontes renováveis e dos baixos níveis dos reservatórios.

Na versão mais recente das regras, as térmicas movidas a biodiesel foram excluídas, o que levou à suspensão de investimentos, como um projeto de R$ 500 milhões da Binatural. O setor pressiona pela reinclusão do biocombustível, argumentando que a decisão inviabiliza empreendimentos sustentáveis.

Hoje, portanto, o biodiesel está fora do leilão, mas a questão ainda pode ser revista por meio de negociações e disputas judiciais. "Estamos otimistas que isso será realmente revisto, porque fomos muito claros durante a fase de consulta pública", afirma Manuel Viveiros, líder de vendas da Binatural. Independentemente do curso do leilão federal, a produção da empresa brasileira continua em crescimento por outras estratégias, como o foco no setor de combustíveis.

Para isso, o pequeno produtor rural também é importante, como mostram os dados da companhia. Com operações em Goiás e na Bahia, a Binatural ampliou o uso de matérias-primas da agricultura familiar no Norte e no Nordeste, de 10% para 30% em 2024, com previsão de aumento para este ano. A companhia mantém parceria com 25 mil famílias, que fornecem insumos como mamona, açaí e baru para a produção industrial.

Estadão
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