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Dívida da Paramount chegará a US$79 bi após acordo com Warner Bros., sem planos de vender ativos de TV a cabo

2 mar 2026 - 14h29
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A fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros Discovery criará uma entidade ‌combinada com uma dívida líquida de cerca de US$79 bilhões, informou a Paramount nesta segunda-feira, descartando qualquer plano de alienação ou desmembramento dos ativos de TV a cabo.

As empresas irão unificar seus serviços de streaming, incluindo Paramount+ e HBO Max, em uma única plataforma, afirmou o presidente-executivo da Paramount, David Ellison, em uma teleconferência com analistas.

Juntas, as empresas já atendem mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor em mais de 100 regiões, disse ⁠Ellison, o que lhes confere a escala e o poder de fogo necessários para competir melhor em um mercado ‌dominado pela Netflix.

A Paramount assinou o acordo de US$110 bilhões, ou US$31 por ação, para adquirir a Warner Bros na manhã de sexta-feira, depois que a Netflix se recusou a aumentar sua oferta.

A aquisição deverá gerar uma ‌economia de mais de US$6 bilhões em custos, com grande parte ‌dessa economia proveniente de "fontes não relacionadas à mão de obra", por meio da combinação das plataformas de ⁠tecnologia de streaming e provedores de nuvem das empresas, entre outros, afirmou Andy Gordon, chefe de estratégia da Paramount.

A meta de economia é muito superior à meta de sinergia prometida pela Netflix, de até US$3 bilhões, e gerou temores de demissões em massa e redução da produção de filmes e programas de TV pela Warner-Paramount combinadas.

A fusão também unirá a CBS, a MTV, a Comedy Central e a BET da Paramount com as redes da ‌Warner, incluindo a CNN, a TNT e o Food Network.

"Ao combinarmos nossos negócios lineares, esperamos impulsionar o fluxo de caixa, ‌aumentar a eficiência e ajudar a ⁠gerenciar as pressões do mercado", ⁠disse Ellison.

A entidade resultante da fusão terá um dos maiores acervos de propriedade intelectual comercialmente comprovada do setor, unindo franquias como "Game ⁠of Thrones", "Missão Impossível", "Harry Potter", "Top Gun", o Universo DC e "Bob Esponja".

"A HBO ‌é uma joia da coroa neste ‌setor... e continuará a ter os recursos e a independência para fazer o que faz de melhor", disse Ellison.

O acordo com a Paramount é garantido por US$54 bilhões em compromissos de dívida do Bank of America, Citigroup e Apollo.

Isso inclui US$39 bilhões em novas dívidas e US$15 bilhões para refinanciar a linha ⁠de crédito-ponte existente da Warner Bros, disse Gordon.

A Warner Bros Discovery tinha uma dívida líquida de US$29 bilhões, enquanto a Paramount tinha US$10,36 bilhões no final do ano passado.

DISPUTA DE LICITAÇÃO

A disputa pelos estúdios e ativos de streaming da Warner Bros. se intensificou ao longo de meses, com a Paramount e a Netflix trocando propostas rivais de aquisição.

A Netflix saiu na frente, fechando um acordo no início ‌de dezembro para comprar esses ativos, excluindo as redes de TV a cabo, por US$27,75 por ação, ou US$82,7 bilhões.

Após o conselho da Warner considerar a proposta da Paramount superior, a Netflix desistiu da disputa acirrada por ⁠ativos, incluindo a DC Comics, a HBO e a HBO Max.

O acordo entre a Paramount e a Warner Bros também eliminaria as dúvidas em torno do valor e do risco da cisão das redes de TV a cabo que os acionistas da Warner teriam mantido sob a proposta da Netflix, reduzindo uma das principais variáveis que contribuíam para as incertezas em torno da oferta da Netflix.

A expectativa é que a empresa resultante da fusão produza pelo menos 30 filmes para cinema por ano, mantendo os estúdios Warner Bros. e Paramount.

Na sexta-feira, a Paramount pagou a multa de rescisão de US$2,8 bilhões que a Warner devia à Netflix. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano.

A aquisição provavelmente obterá facilmente a aprovação antitruste da União Europeia, sendo que quaisquer desinvestimentos necessários deverão ser mínimos, informou a Reuters na sexta-feira, citando fontes.

A Paramount, liderada por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, tem fortes laços com o governo Trump, um fator que, segundo alguns analistas, pode ajudá-la a obter um tratamento regulatório mais favorável.

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