Marcelo Claure investe US$ 100 mi na Shein e assume conselho na América Latina
O ex-SoftBank vai liderar os esforços da varejista chinesa de moda para crescer na região
A varejista online chinesa Shein (lê-se xí-ín) não está para brincadeira nos seus planos de expansão na América Latina. A companhia, que desembarcou oficialmente no Brasil no fim do ano passado, chamou o ex-SoftBank Marcelo Claure para liderar seus esforços na região como presidente do conselho. Ele também vai ajudar a criar um conselho consultivo para ajudar a construir conhecimento local específico para a operação. A chegada vem com um investimento de US$ 100 milhões feito por ele.
As movimentações foram antecipadas pelo The Wall Street Journal e confirmadas pela Shein. Segundo o Financial Times, a Shein está com uma rodada de US$3 bilhões aberta com um valuation de US$ 64 bilhões, cerca de um terço a menos que sua avaliação anterior, que era de US$ 100 bilhões.
"Estamos animados em dar as boas-vindas a Marcelo na Shein em um momento de muito crescimento para nossa companhia na América Latina", disse said Sky Xu, fundador e presidente da varejista em comunicado. "Seu excelente histórico como empreendedor e executivo operadora, combinados com sua profunda experiência fazendo crescer marcas globais e construindo relacionamentos fortes, serão instrumentais na medida que expandimos neste importante mercado", completou.
Marcelo assume o novo cargo um ano depois de deixar suas funções no SoftBank. O boliviano, que era um dos principais executivos do grupo japonês, deixou a empresa em janeiro de 2022 após um desentendimento sobre pagamento. Na época, a Bloomberg reportou que Marcelo teria tido divergências com Masa Son, fundador e presidente do conglomerado japonês, por conta de remuneração. De acordo com o The New York Times, Marcelo queria US$ 2 bilhões como pagamento por ter tirado a WeWork do fundo do poço depois da frustrada tentativa de IPO em 2019. Ele também foi responsável pela virada na operador Sprint, que foi vendida para a T-Mobile por US$ 26 bilhões em 2018.
Ele ainda foi responsável pelo lançamento do primeiro fundo latino-americano do SoftBank, de US$ 5 bilhões, em 2019 - que ganhou mais US$ 2 bilhões 2 anos depois. Desde sua saída da multinacional japonesa, ele comanda o Claure Group, seu próprio veículo de investimento.
"Estou incrivelmente inspirado peal visão da Shein de tornar a moda acessível para todos por meio de seu modelo sob demanda único", disse Marcelo em comunicado. "Como alguém que é apaixonado pela América Latina e estará focado em investir por aqui no futuro, esta é uma oportunidade única para mim de contribuir para a região junto com a Shein. Na América Latina, países como Brasil e México estão em um estágio de desenvolvimento no qual o nearshoring, com ajuda da tecnologia de cadeia de suprimento da Shein, pode permitir as cadeias locais a florescerem. Estou honrado em me juntar a Sky e seu time de executivos para ajudar a acelerar oportunidades de crescimento econômico e de emprego na América Latina", completou Marcelo.
Hoje pela manhã, Marcelo publicou uma carta aberta em tom enigmático em seu LinkedIn - em uma clara resposta à matéria do The Wall Street Journal - dizendo estar pronto para abraçar novos desafios profissionais. "Tomei a decisão animadora de focar na próxima fase da minha vida na América Latina, uma região pela qual sou profundamente apaixonado. Vou dedicar a maior parte do meu tempo e uma significativa porção do meu capital para apoiar empresas e fundadores na América Latina à medida que escalam seus negócios. Também irei trabalhar próximo de companhias líderes globais que buscam crescer neste mercado dinâmico", escreveu.
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