Dólar sobe no dia, mas fecha abril com queda de 1,60%, a R$ 4,98; bolsa teve alta de 2,5% no mês
Sexta foi marcada por ajuste de posições e expectativa de que redução dos juros deve ser adiada
São Paulo - O dólar à vista operou em terreno positivo ao longo de todo o pregão em sintonia com o exterior, devolvendo parte da queda expressiva de ontem (-1,52%), mas se manteve abaixo da linha de R$ 5,00 no fechamento (R$ 4,98). O comportamento da moeda americana no mercado local sofreu forte influência da disputa técnica para formação da última Ptax de abril e pela rolagem de posições no segmento futuro de câmbio. O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo, teve alta de 1,47% no dia e de 2,50% em abril.
No noticiário doméstico, analistas viram forças distintas atuando sobre a precificação do dólar. Dados positivos da economia brasileira, como avanço de 3,32% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em fevereiro, favorecem ao real, ao mostrar perspectivas melhores para atividade e possível manutenção da taxa Selic em 13,75% por longo período. De outro lado, pesam dúvidas ainda sobre o controle das contas públicas. Após impacto positivo ontem da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) favorável ao governo na questão tributária, houve certo desconforto com a definição da nova política de reajuste do salário mínimo.
Com máxima a R$ 5,0183, na primeira hora de negócios, e mínima a R$ 4,9795, à tarde, o dólar encerrou a sessão desta sexta-feira, 28, cotado a R$ 4,9874, em alta de 0,14%. Na semana, graças sobretudo ao tombo de ontem, a moeda recuou 1,40%, terminando abril com perda de 1,60%. No ano, o dólar acumula baixa de 5,54%. Com a rolagem de posições no mercado futuro, o contrato da moeda para liquidação em junho, que passa a ser o mais líquido, teve giro forte, acima de US$ 17 bilhões.
Entre as principais divisas emergentes e de exportadores de commodities, o real foi a única moeda, ao lado do peso mexicano, a se apreciar frente ao dólar no mês. Divisas menos relevantes do leste europeu, como florim húngaro e zloty polonês, também se destacaram. Termômetro do comportamento do dólar frente a seis divisas fortes, o índice DXY operou em alta comedida hoje, acima da linha dos 100,600 pontos, mas encerrou a semana com leve baixa e acumulou recuo de quase 1%.
Segundo o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, a safra recente de indicadores domésticos (serviços, varejo e mercado de trabalho) mostra que a economia não está desacelerando no ritmo em que se previa, o que sugere que não há espaço para que o Banco Central inicie um processo de corte de juros ainda no primeiro semestre, como esperado por uma ala dos investidores.
"Os dados de atividade consolidam a visão de que o BC vai demorar a reduzir juros. Outro fator importante no curto prazo é que a balança comercial continua bastante positiva, com a parte agrícola. Isso tudo ajuda na dinâmica do câmbio", afirma Lima. "Se o país conseguir fazer a coisa certa na questão fiscal, o real pode se apreciar mais, porque a moeda não está valorizada".
A perspectiva de manutenção de taxa Selic elevada por mais tempo, aliada à visão de que o aperto monetário nos EUA está perto do fim e de que o juro terminal por lá não vai chegar a 6%, tende a dar suporte a moeda brasileira ao manter um diferencial elevado de taxas. Nos EUA, o índice de preços de gastos ao consumo (PCE) avançou 0,1% em março e seu núcleo - que exclui alimentos e energia - subiu 0,3%, em linha com as expectativas. Monitoramento da CME mostram que as chances de alta dos FedFunds em 25 pontos-base na próxima semana, dia 3, ultrapassaram novamente 90%.
Por aqui, é unânime a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai anunciar, também no dia 3, manutenção da taxa Selic em 13,75%. As dúvidas giram em torno da possibilidade de aceno para início de um ciclo de corte à frente.
No front fiscal, a expectativa é pelo parecer do relator da proposta do novo arcabouço fiscal na Câmara, deputado Claudio Cajado (PP-BA). Segundo apurou o Broadcast, em reuniões com integrantes mercado financeiro deste ontem, Cajado sugeriu que pode tentar ampliar as travas ao aumento das despesa públicas no texto que vai apresentar.
"Há sinais de que o relator e o Centrão querem pôr mais limites aos gastos, mas vamos ver como o governo vai reagir a isso. O dólar passou a trabalhar mais baixo depois da proposta do arcabouço, porque tirou os riscos que vinham com a PEC da Transição, que foi muito ruim. Mas a proposta é muito dependente da receita, não tem punição para descumprimento e vai provocar aumento da carga tributária", diz Lima, da Western Asset.
Bolsa de Valores
O Ibovespa retomou a linha dos 104 mil pontos neste último fechamento de abril, impulsionado na sessão por ganho em torno de 2% para Petrobras (ON +2,30%, PN +1,85%). Em dia positivo para o Brent e o WTI, as ações da estatal encerraram o mês acumulando alta de 11,36% (ON) e de 13,02% (PN), superando o desempenho de outros papéis de primeira linha e de grande liquidez na B3. O principal índice da Bolsa obteve leve ganho de 2,50% em abril, que interrompe sequência de perdas em março (-2,91%) e fevereiro (-7,49%), após abertura de ano positiva (+3,37% em janeiro).
Assim, no ano, o Ibovespa ainda cede 4,83% no combinado dos quatro primeiros meses. Hoje, o índice tocou mínima do dia a 102.448,52 e encerrou em alta de 1,47%, aos 104.431,63 pontos, na máxima da sessão, em avanço de pouco mais de 1.500 pontos em relação à abertura, aos 102.922,70. O giro financeiro foi a R$ 25,1 bilhões, antes do feriado de segunda-feira, quando não haverá negócios na B3. Na semana, o Ibovespa zerou perda e obteve leve avanço de 0,06% no intervalo, após retração de 1,80% e salto de 5,41% nas duas semanas anteriores.
Assim, no ano, o Ibovespa ainda cede 4,83% no combinado dos quatro primeiros meses. Hoje, o índice tocou mínima do dia a 102.448,52 e encerrou em alta de 1,47%, aos 104.431,63 pontos, na máxima da sessão, em avanço de pouco mais de 1.500 pontos em relação à abertura, aos 102.922,70. O giro financeiro foi a R$ 25,1 bilhões, antes do feriado de segunda-feira, quando não haverá negócios na B3. Na semana, o Ibovespa zerou perda e obteve leve avanço de 0,06% no intervalo, após retração de 1,80% e salto de 5,41% nas duas semanas anteriores.
Nesta última semana de abril, o desempenho do Ibovespa ficou aquém do observado nas referências de Nova York, onde os ganhos semanais ficaram entre 0,86% (Dow Jones) e 1,28% (Nasdaq), em período que antecede a deliberação dos Federal Reserve sobre a taxa de juros dos Estados Unidos, na próxima quarta-feira. "Deve vir mesmo um aumento de 25 pontos-base", aponta Dennis Esteves, sócio e especialista em renda variável da Blue3 Investimentos, após parte do mercado ter aventado a possibilidade de uma pausa nas elevações nesta reunião.
"O susto seria um aumento maior, de meio ponto, caso os mais recentes dados econômicos superassem as expectativas. Mas os dados, nos Estados Unidos e na Europa, têm vindo dentro ou abaixo da expectativa, mostrando economias mais fracas. Na semana, os bons resultados trimestrais apresentados pelas grandes empresas de tecnologia americanas foram o contraponto à decepção com os números da economia, como o PIB do primeiro trimestre nos Estados Unidos", diz.