Diesel teve alta de quase 20% no Brasil desde o início da guerra no Oriente Médio, diz levantamento
Preço médio passou de R$ 5,43 em 1º de março para R$ 6,50 na última segunda, 16, segundo dados do IBPT
O preço médio do diesel-S10 comum subiu 19,71% no Brasil desde 1º de março, um dia após o início do conflito no Oriente Médio, de acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), ao qual o Estadão teve acesso nesta quarta-feira, 18.
O estudo mostrou que o preço médio do diesel-S10 comum no País saiu de R$ 5,43 em 1º de março para R$ 6,50 na última segunda-feira, 16, com variação de R$ 1,07.
A região que registrou o maior aumento foi a Centro-Oeste, com alta de 26,4% - ou R$ 1,39 -, seguida pelo Nordeste, com crescimento de 21,44% - ou R$ 1,15.
Nesta quarta, por conta da alta e ameaça de greve dos caminhoneiros, o governo anunciou um novo pacote de medidas. Também pediu aos Estados que zerem o ICMS do diesel importado e propôs arcar com 50% das perdas.
O estudo foi produzido pelo IBPT com base na análise de 192 mil notas fiscais eletrônicas, emitidas entre 1º e 16 de março, em operações com combustíveis em todos os Estados do País, por meio do sistema FuelPrice, da spin-off Empresômetro Inteligência de Mercado.
O levantamento mostrou que, no geral, o preço médio dos combustíveis subiu 9,81% no País nos 16 dias avaliados, com variação de R$ 0,50. No caso do diesel-S10 aditivado, a alta foi de 17,61% - ou R$ 0,98 - no período, enquanto a gasolina comum registrou crescimento de 5,24% - ou R$ 0,28.
O etanol hidratado comum foi o único a registrar queda, com redução de 0,67% - ou R$ 0,03. Já o etanol aditivado teve aumento de 2,96% - ou R$ 0,12.
No último sábado, 14, a Petrobras promoveu um reajuste de 11,6% no preço do diesel, que passou a custar R$ 3,65 por litro nas refinarias da estatal, aumento de R$ 0,38 por litro.
O aumento, após 312 dias de preço congelado, foi uma resposta à alta do petróleo e de seus derivados no mercado internacional. Apesar de uma queda registrada nesta quarta-feira, o valor do barril permanece próximo de US$ 100, pressionado pelo impacto da guerra no Oriente Médio.
Para tentar conter o preço do diesel no País, o governo federal anunciou, na última semana, um pacote de medidas que inclui a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
A medida passou a valer na última segunda-feira, mas não provocou redução nos preços em seu primeiro dia útil. O levantamento do IBPT mostrou que, no caso do diesel-S10 comum, o valor saiu de R$ 6,16 na sexta-feira, 13, antes do reajuste promovido pela Petrobras, para R$ 6,42 no primeiro dia com os novos preços e R$ 6,50 no primeiro dia de isenções dos impostos federais.
"O aumento persistente dos combustíveis em março, apesar da isenção de PIS e Cofins sobre o diesel, já ocasiona transtornos tanto para o consumidor pessoa física quanto para empresas, principalmente transportadoras, agronegócio e indústrias", afirma o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.
Para Amaral, o receio das distribuidoras e dos postos revendedores de que a guerra dure mais do que o inicialmente previsto pode levar a medidas de precaução na reposição dos estoques.
"Por enquanto, as medidas governamentais de redução tributária, aumento da fiscalização e reuniões com o segmento não têm surtido efeito, e o resultado certamente estará refletido na inflação deste mês", avalia.