Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Desemprego até dezembro fica em 5,1% e 2025 tem melhor resultado desde 2012

Com indicador de dezembro, taxa anual de desemprego caiu de 6,6%, em 2024, para 5,6%, no ano passado, patamar mais baixo da série histórica

30 jan 2026 - 09h20
(atualizado às 16h56)
Compartilhar

RIO E SÃO PAULO - A taxa de desemprego no País desceu a 5,1% no quarto trimestre de 2025, inaugurando novo piso na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado foi permeado de recordes positivos: maior número já visto de pessoas trabalhando, menor contingente de desempregados, novo auge na carteira de trabalho assinada, massa de salários e renda média em topos históricos.

O mercado de trabalho segue resiliente e, sobretudo, focado na formalização, avaliou o chefe de macroeconomia da Kínitro Capital, João Savignon. O crescimento dos postos de trabalho formais no ano como um todo foi de 3,3%, contrastando com um encolhimento de 0,4% nas vagas do setor informal, calculou.

"Isso indica uma melhor qualidade das vagas",afirmou Savignon.

Taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, segundo o IBGE
Taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, segundo o IBGE
Foto: Márcio Fernandes/Estadão / Estadão

As contratações sazonais no comércio, com vistas ao aumento na demanda de fim de ano, com datas como Black Friday e Natal, impulsionaram a geração de postos de trabalho no quarto trimestre de 2025, apontou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares no IBGE.

A população ocupada no País alcançou o maior patamar da série histórica no quarto trimestre de 2025, 102,998 milhões de trabalhadores. O resultado significa 565 mil vagas a mais em apenas um trimestre.

Entre as atividades econômicas, o comércio abriu 299 mil vagas no quarto trimestre, e a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais geraram novos 282 mil empregos.

"No quarto trimestre, o comércio teve papel importante nesse estímulo à população ocupada, mais ligada a essa parte de vestuário e calçados e também de alimentação (como supermercados)", disse Beringuy.

Já no segmento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, houve impulso de educação e saúde, que abrange tanto as esferas pública quanto privada.

"Tem peso mais da educação pública", apontou Beringuy. "Tem quase uma universalização da frequência escolar nesse segmento de ensino fundamental. Isso por si só já faz um aporte muito grande de trabalhadores na educação."

A queda da taxa de desemprego foi resultado de um aumento no número de pessoas trabalhando no País, tanto no ramo formal quanto informal, ressaltou Adriana Beringuy. O total de pessoas com carteira assinada no setor privado avançou a um ápice de 39,409 milhões de trabalhadores, 179 mil vagas a mais em um trimestre. O montante trabalhando no setor público também foi recorde, totalizando 13,004 milhões de pessoas. O número de trabalhadores por conta própria subiu a um auge de 26,109 milhões.

Com mais emprego, o total de pessoas em busca de uma vaga no País somou 5,503 milhões no trimestre até dezembro, menor contingente de desempregados em toda a série histórica. Em apenas um trimestre, 542 mil brasileiros deixaram o desemprego.

"A retração da taxa de desocupação foi fundamentalmente impulsionada pela geração de trabalho, seja no ramo formal seja informal", frisou Beringuy. "Tem mais geração de vagas combinada com uma subutilização que vem diminuindo."

População fora da força de trabalho

A melhora teve ajuda também de um aumento na inatividade, 313 mil pessoas a mais nessa condição. A população inativa — que reúne indivíduos em idade de trabalhar, mas considerados fora da força de trabalho, por não estarem nem trabalhando nem buscando vaga — somou 66,246 milhões de pessoas no quarto trimestre.

"A alta na população fora da força tem um componente demográfico importante. Mas a gente não se refere só a pessoas idosas. Na outra ponta tem os adolescentes. Há mais pessoas estudando ou tendo uma permanência maior na escola nesse grupo etário, que é aquele de 14 a 17 anos. Isso acaba trazendo um contingente maior para a população fora da força. Então tem o aspecto demográfico sim, que é o envelhecimento natural que a gente sabe que vem ocorrendo, e também o impacto da população mais jovem, de 14 a 17 anos, um pouco mais puxada nessa população fora da força em virtude da maior permanência na escola", justificou Beringuy. "Essa permanência na escola pode estar sendo favorecida pelo crescimento do rendimento do domicílio."

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13,4% no quarto trimestre, a mais baixa da série histórica. A população subutilizada desceu a 15,289 milhões, 515 mil a menos em um trimestre.

O nível da ocupação — que mostra a proporção de pessoas trabalhando entre a população com idade para trabalhar — alcançou patamar recorde na série histórica comparável, de 58,9% no quarto trimestre.

"O nível da ocupação é bastante elevado", disse Beringuy.

Os dados de 2025 apontam para um mercado de trabalho sólido: o Brasil atravessa um período de mínima histórica do desemprego, crescimento real dos salários e elevado grau de formalização, resumiu o economista da Suno Research Rafael Perez.

"Essa combinação tem ajudado a amortecer a desaceleração da atividade e a reduzir os efeitos da política monetária restritiva, mantendo o Banco Central com uma postura mais cautelosa na condução da taxa de juros", afirmou Perez.

A Suno Research espera uma alta gradual da taxa de desocupação ao longo dos próximos meses, em linha com a sazonalidade. A expectativa é de que o mercado de trabalho siga aquecido neste ano, mas com uma taxa de desemprego levemente superior, na esteira da projeção de crescimento mais moderado em 2026 na comparação com 2025.

A geração de novos postos de trabalho no País tem sido sustentada pelo consumo das famílias em atividades mais ligadas à renda e menos dependente de crédito, afirmou Adriana Beringuy, do IBGE.

"(O emprego) Cresce devido ao aumento do consumo das famílias, do rendimento recebido pelo trabalhador. A gente tem um grande número de pessoas que estão ocupadas e, ao mesmo tempo, com rendimentos crescentes", disse Beringuy.

A massa de salários em circulação na economia renovou patamar recorde no trimestre encerrado em dezembro, totalizando R$ 367,551 bilhões, R$ 10,883 bilhões a mais em apenas um trimestre, elevação de 3,1%, já descontada a inflação do período. O rendimento médio real dos trabalhadores também subiu ao ápice da série, para R$ 3.613 no período, aumento de 2,4% em apenas um trimestre.

"A gente mantém uma economia que é basicamente impulsionada pelo consumo das famílias. Sendo que esse consumo das famílias se realizou não necessariamente por acesso a crédito, mas por crescimento da renda do trabalhador", defendeu Beringuy.

A pesquisadora lembra que a "transmissão de efeito da taxa de juros não é uniforme" entre as atividades econômicas. As atividades que mais tiveram crescimento de população ocupada e também de consumo não são sensíveis aos juros elevados, disse ela.

"As atividades que são mais dependentes de crédito ou de juros não são aquelas que mais expandiram em 2025", afirmou. "Você tem mais trabalhadores e rendimentos maiores. Esse consumo foi canalizado para onde? Para os bens não duráveis, alimentação, vestuário, serviços de alimentação, serviços pessoais", enumerou.

Média anual

A taxa de desemprego foi de 5,6% na média do ano de 2025, menor patamar da série histórica da Pnad Contínua. O resultado representou um recuo de 1,0 ponto percentual em relação aos 6,6% registrados na média de 2024. No confronto contra 2019, no pré-pandemia de convid-19, o recuo foi de 6,2 pontos porcentuais ante a taxa média de 11,8% daquele ano.

A população desocupada totalizou 6,2 milhões de pessoas na média de 2025, queda de cerca de 1,0 milhão (-14,5%) em relação a 2024, quando somou 7,2 milhões. A população ocupada subiu a um recorde de 103 milhões de pessoas na média de 2025, 1,7% acima de 2024.

A taxa composta de subutilização foi de 14,5% na média de 2025, redução de 1,7 ponto porcentual ante os 16,2% de 2024. Essa taxa era de 24,4% em 2019.

Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra