Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Demissão de diretor da Petrobras acende alerta sobre intervencionismo do governo

Para especialistas, há risco de que a estatal seja usada como instrumento da política econômica; alta dos combustíveis traz preocupações eleitorais para Executivo

7 abr 2026 - 10h50
Compartilhar

A demissão de Claudio Romeo Schlosser da diretoria de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, anunciada na segunda-feira, 7, pela estatal após crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao leilão de GLP, gerou apreensão no mercado por soar como intervenção, apontam analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.

A veia intervencionista do governo federal não deixa dúvidas para o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, que vê o movimento como uma forma de interferir no preço, divergindo da dinâmica rentável que havia se estabelecido no leilão. "As escolhas que fazem sentido econômico divergiram do viés populista do governo", explica. Para ele, fica claro que o Executivo interferirá onde conseguir na petroleira, até congelando os preços, se conseguir.

Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, a demissão deu a entender que o governo não queria que o executivo atuasse normalmente, o que teria gerado o conflito e o desligamento. Mesmo assim, ele acredita que a alta do petróleo deve falar mais alto no pregão. "Mesmo com a interferência, ainda será uma receita bem maior do que a esperada."

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente Lula; estatal demitiu diretor após crítica do petista a leilão de GLP
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente Lula; estatal demitiu diretor após crítica do petista a leilão de GLP
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O contexto da demissão é o que preocupa Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos. Ele entende que os subsídios estatais para o governo atuar diretamente no preço final aumentam o risco de que a Petrobras seja utilizada como instrumento da política econômica. Nessa linha, ele pondera que o petróleo pode não se traduzir totalmente em valor para a companhia.

"O que chama a atenção hoje é governança e política de preços, não o petróleo. A grande pergunta é até quando o mercado ignorará esse cenário, visto que o papel subiu 20% desde o início da guerra", avalia Lemos.

O especialista em ações da Axia Investing Felipe Sant'Anna destaca que Angélica Laureano, que assumiu a diretoria de Logística, é alinhada com a presidente da companhia, Magda Chambriard, indicada de Lula. "O governo está desesperado para segurar o preço dos combustíveis; qualquer um que fique no caminho será alvo, sempre foi assim." Sant'Anna acredita que, em meio à crise global do petróleo provocada pela guerra no Irã, a Petrobras não conseguirá evitar a alta dos combustíveis, trazendo preocupações eleitorais para o Executivo.

Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra