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Custo de energia solar no Brasil em 2035 só será mais alto do que o da China, diz estudo da Irena

Para a geração brasileira, a agência internacional projeta US$ 41 por megawatt-hora (MWh), enquanto para o país asiático, US$ 33/Mwh; Absolar divulgou os números nesta sexta-feira, 16

16 out 2026 - 19h31
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Resumo
Segundo estudo da Irena divulgado pela Absolar, o Brasil terá em 2035 um dos menores custos globais de energia solar firme combinada a baterias, atingindo cerca de US$ 41/MWh, atrás apenas da China (US$ 33/MWh) e empatado com Omã. O recuo expressivo decorre da queda nos preços das baterias, que despencaram 93% desde 2010. O avanço tornará a geração limpa mais previsível, flexível e competitiva, apta a suprir demandas de ponta e setores de consumo intensivo, como data centers e hidrogênio verde.

RIO - O Brasil poderá atingir um dos menores custos do mundo para a geração de energia solar firme, com cerca de US$ 41 por megawatt-hora (MWh) em 2035, ficando acima apenas do da China, segundo projeções da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). Os números foram divulgados pela Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar) nesta sexta-feira, 16.

O cálculo considera a combinação entre geração fotovoltaica e sistemas de armazenamento em baterias, com confiabilidade de 95%, e coloca o País na segunda posição entre os mercados avaliados, empatado com Omã e perdendo apenas para a China, cujo custo é estimado em aproximadamente US$ 33/Mwh.

A Absolar afirmou que a projeção reforça a competitividade do Brasil na união entre solar e baterias e abre uma janela para ampliar o peso das fontes renováveis na oferta de eletricidade. Para a entidade, a evolução tecnológica e a queda de preços do armazenamento tendem a aumentar a previsibilidade e a flexibilidade da geração renovável, com potencial de atender novos perfis de consumo e aproveitar melhor a infraestrutura elétrica já instalada.

Os números divulgados pela associação estão no estudo 24/7 Renewables: The Economics of Firm Solar and Wind, da Irena, que acompanha a trajetória de custos de sistemas capazes de transformar a geração renovável variável em uma oferta mais previsível ao longo do dia.

Na comparação para 2035, a Índia aparece próxima de US$ 47/MWh; Austrália e África do Sul, em torno de US$ 50/MWh; enquanto os Estados Unidos registram o maior valor entre os países analisados, perto de US$ 59/MWh.

Estimativas consideram queda no preço de baterias

A agência ressalta que a métrica usada no levantamento, o custo nivelado de energia firme (Firm LCOE), estima o gasto para fornecer eletricidade com determinado nível de disponibilidade e confiabilidade, levando em conta características do projeto, recursos renováveis e condições de armazenamento. Por isso, trata-se de uma referência por projeto e localidade, não de uma média que possa ser generalizada para todos os empreendimentos de um país.

Um dos principais vetores dessa redução, segundo a Irena, é o recuo dos custos das baterias. Globalmente, os custos dos sistemas de armazenamento caíram 93% entre 2010 e 2024, de US$ 2.634/kWh para US$ 197/kWh. Em locais de alta qualidade solar avaliados, os custos de energia firme ficaram entre aproximadamente US$ 65/MWh e US$ 82/MWh em 2025, com projeção de recuo para a faixa de US$ 37/MWh a US$ 58/MWh em 2035.

No caso brasileiro, uma localidade de alta irradiação na Bahia aparece com cerca de US$ 65/MWh em 2025 e queda estimada para US$ 44/MWh em 2030.

'O Brasil reúne condições muito favoráveis'

Para a Absolar, a combinação de solar e armazenamento ganha relevância ao permitir deslocar parte da produção para horários de maior demanda, reduzir a necessidade de geração convencional de suporte e ampliar o uso das redes. A entidade cita o crescimento de cargas como data centers, projetos de hidrogênio verde e indústrias eletrointensivas como fatores que aumentam a demanda por uma oferta mais previsível.

"Os resultados mostram que o Brasil reúne condições muito favoráveis para avançar na oferta de energia renovável firme e competitiva. A redução dos custos do armazenamento amplia a capacidade de utilizar o sol de forma mais estratégica, deslocando a geração para os momentos de maior necessidade do sistema", afirmou em nota o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia.

Na China, por exemplo, a energia solar firme combinada com armazenamento já apresenta custos inferiores aos da geração a carvão e a gás, enquanto outros mercados avançam rapidamente nessa direção.

"Para o Brasil, essa evolução abre espaço para uma nova etapa de expansão das renováveis, na qual a capacidade de produzir energia limpa deixa de ser avaliada apenas pelo custo da geração e passa a incorporar também sua disponibilidade, previsibilidade e capacidade de atendimento à demanda", concluiu a presidente do conselho de administração da Absolar, Bárbara Rubim.

Estadão
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