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Criminosos aplicam golpe do 'dinheiro esquecido'; veja como se proteger

Principal golpe é aquele em que o criminoso envia uma mensagem para o WhatsApp disponibilizando um link malicioso, que pode roubar dados

8 mar 2023 - 14h30
(atualizado às 14h32)
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Golpistas podem roubar senhas ou instalar programas espiões no seu celular caso link malicioso seja acessado
Golpistas podem roubar senhas ou instalar programas espiões no seu celular caso link malicioso seja acessado
Foto: John Tuesday/Unsplash

Brasileiros com dinheiro 'esquecido' em instituições financeiras, que já podem solicitar saque dessas quantias pelo Sistema de Valores a Receber (SVR), precisam ficar atentos aos golpes de criminosos que aproveitam o interesse pelo serviço para tentar roubar senhas ou invadir computadores e celulares.

O próprio Banco Central (BC) faz o alerta desde que passou a receber um volume maior de denúncias sobre informações falsas envolvendo o SRV. O principal golpe é aquele em que o criminoso envia uma mensagem feita para o WhatsApp disponibilizando um link malicioso, que ele apresenta como se fosse do SRV, mas, na realidade, ele rouba dados pessoais da vítima, entregando-as para os criminosos.

"O golpista afirma que você tem valores a receber, heranças ou dinheiro esquecido em banco, e envia um link para clicar e receber os valores imediatamente. O link rouba senhas de redes sociais e pode instalar vírus e programas espiões no celular", alerta o BC.

Cuidados

Alguns pontos importantes devem ser destacados. O primeiro deles é que, caso o dinheiro esteja parado, mas você demore a solicitar uma retirada, ele não vai deixar de ser seu. Quando você solicitar, será depositado. Enquanto isso não for feito, vai ficar parado por lá.

O segundo é que você deve tomar cuidado para não cair em golpes. O Banco Central pediu para que as pessoas não acessem links maliciosos. Este é o único link do BC em que os valores são consultados e, posteriormente, solicitados para transferência.

Além disso, o BC também alerta que o serviço é gratuito e que o órgão não entra em contato para tratar sobre valores ou para confirmar seus dados pessoais. Somente a instituição que aparece no Sistema de Valores a Receber é que pode te contatar e ela nunca vai pedir sua senha.

Informações verdadeiras e oficiais sobre o sistema e sobre saques do 'dinheiro esquecido' são divulgadas apenas no site do Banco Central e em suas redes oficiais. O BC nunca envia mensagens por aplicativos de mensagens ou serviço de SMS.

Passo a passo para sacar seu 'dinheiro esquecido'

Por meio deste link será possível saber se há alguma quantia a ser sacada. Dentro do site, clique no botão "consulte se tem valores a receber".

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Uma janela se abrirá pedindo número do CPF ou CNPJ a ser consultado e data de nascimento (para pessoa física) ou de abertura da empresa (para pessoa jurídica).

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Nessa etapa, o sistema apenas irá informar se há ou não alguma quantia a ser sacada a partir do dia 7 de março.

Caso você possua valores a receber, haverá um botão "acessar o SVR" e, após clicar, você será direcionado para a página de sua conta Gov.br. O BC informa que a possibilidade de fila de espera nesse processo do sistema.

O BC também detalhou que cada beneficiário terá 30 minutos dentro do sistema, para solicitar o saque, tempo que, segundo o órgão, é suficiente para realizar o processo, mas que é preciso ficar atento a um reloginho que irá aparecer no canto superior da tela.

Para acessar valores de pessoa jurídica, a conta Gov.br precisa ter o CNPJ a ela vinculado. Em caso de pessoas físicas ou pessoas falecidas, a conta tem que ser nível prata ou ouro. A seguir, saiba como proceder:

Por padrão, toda conta criada pelo Gov.br recebe o selo bronze. Existem métodos online para você aumentar de nível, inclusive pelo próprio aplicativo da plataforma. Um sistema de verificação facial já pode ser suficiente para essa melhoria.

Para elevar o nível de segurança para o selo prata há diversas formas de fazê-lo. Quem tem cadastro no Denatran, por exemplo, pode usar esses dados para obter o selo prata, já que o sistema cruzará as informações com sua CNH. Já quem é servidor, utilizando dados do Sigepe também é possível elevar o nível. Há ainda uma terceira forma, que é validação com cadastro de banco pela internet. Verifique na lista se essa opção é possível com seu banco.

Já para obter o selo ouro é preciso fazer o reconhecimento facial. Nesse caso, recomendamos o uso do app gov.br para celular, que irá utilizar a câmera do seu aparelho para o processo.

O Terra fez o teste com uma conta prata e solicitou o upgrade no botão "aumentar nível", que fica bem visível logo no topo da página.

Foto:

Na sequência, o sistema pede acesso à câmera para que o reconhecimento facial seja feito. É preciso posicionar o rosto em um espaço que é exibido no app, e permanecer assim por cerca de três segundos, até que o reconhecimento seja concluído. Dessa forma, você consegue o selo ouro, que é o maior nível de segurança fornecido pelo sistema.

Foto:

Opções de saque

Feito todo esse processo, o sistema dará ao beneficiário duas opções de saque:

Pix: Nesse caso, haverá a opção "solicitar por aqui", ou seja, a instituição financeira na qual se encontra seu dinheiro esquecido dá a possibilidade de receber esse valor por Pix em até 12 dias úteis. É preciso informar a chave Pix para a conta que você quer receber. Dica: sempre anote o número de protocolo se precisar falar com a instituição.

•  A combinar: Quando a instituição não oferece a opção de saque via Pix, o sistema irá informar um contato, telefone ou e-mail, para que o beneficiário acione a instituição financeira e combine a melhor forma de receber o valor.

Saiba como consultar se você tem dinheiro esquecido no banco:

Maioria receberá menos de R$ 10

O relatório do BC aponta que 29,2 milhões de contas, o equivalente a 62,55% do total, têm menos de R$ 10 de valores "esquecidos" a serem resgatados. Na outra ponta, apenas 643,1 mil contas, ou 1,37% do total, têm valores acima de R$ 1.000,01.

Veja abaixo a quantidade de beneficiários para cada faixa de valor:

• Até R$ 10: 29.282.110 contas (62,55%);

• Entre R$ 10,01 e R$ 100: 12.195.837 contas (26,05%);

• Entre R$ 100,01 e R$ 1.000: 4.694.862 contas (10,03%);

• Acima de R$ 1.000,01: 643.105 contas (1,37%).

Os dados do BC também apontam que a maior parte dos valores, R$ 3,1 bilhões, se encontra nos bancos. Logo em seguida, estão as administradoras de consórcio, com R$ 2,1 bilhões, e as cooperativas, com R$ 602,7 milhões.

Veja abaixo o valor total de recursos "esquecidos" em cada tipo de instituição e a quantidade de beneficiários (a quantidade se refere ao total de contas, já que uma pessoa pode ter várias contas com valores esquecidos):

• Bancos: R$ 3.187.355.784,83 / Beneficiários: 28.308.773

• Administradoras de consórcio: R$ 2.149.913.448,90 / Beneficiários: 8.901.738

• Cooperativas: R$ 602.764.641,30 / Beneficiários: 2.437.485

• Instituições de pagamento: R$ 96.135.472,69 / Beneficiários: 1.733.340

• Financeiras: R$ 40.286.992,88 / Beneficiários: 3.078.240

• Corretoras e distribuidoras: R$ 9.464.761,52 / Beneficiários: 11.791

• Outros: R$ 1.920.882,18 / Beneficiários: 192

(* Com informações do Estadão Conteúdo)

Fonte: Redação Terra
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