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Copasa aprova 'golden share' e mudanças societárias em preparação para privatização

Ação preferencial dará ao Estado de Minas Gerais poder de veto em temas específicos; privatização está prevista para ocorrer entre abril e maio

24 fev 2026 - 11h59
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A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) aprovou, em assembleia geral extraordinária realizada na segunda-feira, 23, mudanças societárias em preparação para a privatização, prevista para ocorrer entre abril e maio. Entre as medidas está a criação de uma ação preferencial de classe especial (golden share), que permanecerá sob titularidade exclusiva do Estado de Minas Gerais.

A golden share, adotada em outras privatizações como o da Sabesp, Axia (ex-Eletrobras) e Copel, dará ao Estado poder de veto em temas específicos. Mas a ação especial "não terá direito a voto e não conferirá qualquer direito econômico ou patrimonial diferenciado ou mais privilegiado ao Estado de Minas Gerais em relação aos demais acionistas", segundo a ata da reunião.

Na mesma assembleia, os acionistas aprovaram também a reforma integral do estatuto social da companhia, adequando a governança à futura condição de empresa privada. As alterações incluem ajustes nas regras de governança corporativa, criação de mecanismos de proteção contra dispersão acionária, inclusão de compromissos relacionados à resiliência hídrica e adaptação às exigências da legislação estadual.

Modelo de privatização da Copasa repete a estrutura de follow-on (oferta subsequente de ações) adotada pela Sabesp em 2024 e também prevê a participação de um investidor estratégico
Modelo de privatização da Copasa repete a estrutura de follow-on (oferta subsequente de ações) adotada pela Sabesp em 2024 e também prevê a participação de um investidor estratégico
Foto: Copasa/Divulgação / Estadão

O novo estatuto estabelece ainda limite de exercício de voto equivalente a 45% do capital votante para qualquer acionista ou grupo de acionistas, independentemente da participação detida, visando evitar concentração de poder após a desestatização.

As deliberações foram aprovadas por maioria dos votos presentes, com participação de acionistas que representavam 76,51% do capital votante. A BNDESPar registrou abstenção nas votações.

Segundo a companhia, todas as mudanças passam a produzir efeitos apenas após a liquidação da oferta de privatização conduzida pelo Estado de Minas Gerais, etapa considerada central para a migração da companhia para uma estrutura acionária dispersa e alinhada às regras do Novo Mercado da B3.

Privatização

O modelo de privatização da Copasa repete a estrutura de follow-on (oferta subsequente de ações) adotada pela Sabesp em 2024 e também prevê a participação de um investidor estratégico. A operação deve ser a maior deste ano na B3, podendo movimentar entre R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões, estimam fontes.

O investidor estratégico poderá comprar até 30% da Copasa. Nesse modelo, o governo mineiro, que hoje tem 51% da companhia, veria sua participação recuar para 5%.

Grupos como Aegea, Kinea, Perfin e Suez são vistos como candidatos em potencial para ser o investidor estratégico. Nomes como a Águas do Brasil, que já estrutura uma engenharia financeira para ser competitiva no processo, também podem entrar forte na operação, apurou o Estadão/Broadcast.

Estadão
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