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Conservadorismo em 2025 deu ao BC 'gordura' para analisar efeitos da guerra, diz Galípolo

Segundo ele, posição da autarquia decorre de o País ser exportador de petróleo e de a taxa de juros estar em nível bastante contracionista

26 mar 2026 - 13h32
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BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 26, que o BC brasileiro está hoje em posição com alguns benefícios que permitem que a instituição observe os desenvolvimentos do conflito no Oriente Médio para entender como irão afetar a economia brasileira. Essa posição decorre de o País ser exportador de petróleo e de a taxa de juros estar em nível bastante contracionista.

"O conservadorismo que o Banco Central brasileiro adotou ao longo do ano de 2025 reservou para a gente uma posição melhor do que se não tivesse sido conservador", disse Galípolo, que emendou que essa postura permite a autoridade monetária uma "gordura" para analisar os desdobramentos do conflito.

Ele participa de entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre de 2026.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias", disse o banqueiro central, que reforçou que haverá uma condução cautelosa da política monetária.

Galípolo ponderou que, embora o Brasil seja exportador de petróleo, ainda é dependente da importação de uma série de ativos, por isso destacou ser importante acompanhar como esses preços irão se comportar a partir de agora.

Ele frisou ser muito importante observar os efeitos de segunda ordem do petróleo, diante da economia resiliente, e enfatizou ser preciso tempo para entender o comportamento dos riscos que estão no balanço.

Para ele, a maior questão do conflito no Oriente Médio é o tempo para entendê-lo. "Esse tempo é diferente para cada um dos agentes", disse.

Galípolo observou que diversos governos ao redor do mundo tiveram uma reação rápida ao choque de petróleo para conter seus impactos sobre os preços, alguns por meio de redução de impostos e outros com o uso de reservas emergenciais, por exemplo.

O banqueiro central também ponderou que avança a percepção de que o choque de oferta atual não afeta somente a questão logística, relacionada ao fechamento do estreito de Ormuz, mas também a capacidade produtiva, que pode ser destruída e demora um tempo maior para ser recuperada. Uma outra dimensão de impacto, mencionou, é que os efeitos não devem ficar restritos à questão do petróleo, mas afetar também outros produtos e mercados.

Galípolo também destacou que o mundo passa pelo quarto choque de oferta grande em dez anos. Com isso, disse, ficaram mais claros os riscos de efeitos de segunda ordem, que podem ser mais duradouros. O diretor detalhou que os choques anteriores ao atual foram os relacionados à covid-19, à invasão da Ucrânia e à guerra tarifária.

Impacto do PIB

O presidente do Banco Central afirmou que o impacto do aumento atual do petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro precisa ser analisado, uma vez que não se deve à alta da demanda.

"O crescimento precisa ser estudado com mais atenção, porque, historicamente, a gente estabelece essa correlação positiva entre o preço de petróleo e o crescimento da economia brasileira. No passado, quando o petróleo estava subindo, normalmente a gente tinha um ciclo de demanda global pressionando esse preço. Não é isso (que ocorre agora). O petróleo está subindo por outras razões", disse o banqueiro central.

Ele ponderou que a percepção dos bancos centrais é de que, em uma situação de choque de oferta, a tendência é ter mais inflação e menos crescimento. Ele voltou a enfatizar que ainda é preciso entender como serão os desdobramentos da crise atual, principalmente considerando que o Brasil ainda está com uma taxa de juros bastante restritiva.

Inflação

Galípolo disse que o compromisso das autoridades monetárias é com a meta de inflação, mas que a inflação em si não está no centro das preocupações das famílias que, na verdade, se importam mais com o nível de preços.

"O cidadão sabe pouco quanto foi o IPCA, quanto foi o núcleo (de inflação), mas ele sabe quanto custa o litro de leite, quanto custa o preço da carne, quanto custa o pão", exemplificou.

Nesse sentido, Galípolo destacou que o incômodo das famílias com o custo de vida pode ser maior hoje, dado que houve, nos últimos dez anos, quatro choques de oferta no mundo, o que eleva os preços. "A cada rodada dessa, você foi subindo o nível de preço, ainda que depois você consiga controlar a inflação. Mas o nível de preço subiu quatro degraus bastante elevados do ponto de vista de custo de vida", reforçou.

Nesse sentido, Galípolo pontuou que houve uma quebra entre o chamado Misery Index, conhecido como "índice de desconforto", e a sensação de bem-estar econômico nos Estados Unidos e em vários países do mundo. "A relação entre esse índice que soma inflação e desemprego com aprovação de governo, sensação de bem-estar econômico, se quebrou", destacou.

O presidente do BC acrescentou ainda que, em um cenário como o atual, de incerteza geopolítica e um possível novo choque de oferta, tende a prejudicar o nível de certeza que os Bancos Centrais do mundo têm sobre as suas próprias projeções.

"Você tem um consenso talvez entre os banqueiros centrais de que um choque de oferta tende a produzir sim inflação para cima e crescimento para baixo, mas, a depender de quão aguda é essa crise, se você chegar a um preço de petróleo muito mais alto, talvez os pesos e proporções começam a ser diferentes", exemplificou. Por isso, disse o presidente do BC, é preciso fazer análises mais qualitativas sobre o que está acontecendo com os preços e as causas dessas elevações.

Estadão
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