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Compras à vista podem ter juros embutidos; veja como decidir

29 mar 2009 - 10h00
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Peter Fussy

Direto de São Paulo

Na hora de fechar uma venda, as lojas oferecem diversas possibilidades de pagamento, mas como decidir por uma compra a prazo ou à vista? Em algumas situações, os números escondem juros e encargos que farão você desembolsar uma quantia bem maior que o preço do produto. Segundo especialistas financeiros, mesmo as compras à vista podem ter juros embutidos, que você pagará sem saber, se não pedir um desconto.

"Lojas focadas no público de baixa renda, que têm cerca de 90% dos clientes pagando parcelado, não oferecem desconto à vista para padronizar o sistema. Nessas lojas, o preço à vista fica igual ao valor a prazo, já com os juros embutidos", explicou Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios.

"É uma espécie de ''maracutaia'' que as lojas têm. As pessoas sempre comentam, mas ninguém nunca teve força pra mudar", comentou o presidente do conselho administrativo da Associaçao Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), José Ronoel Piccin.

Para verificar se o valor à vista tem juros embutidos é preciso pegar o número de parcelas oferecidas e somá-las a um custo de financiamento em média de 2% ao mês. Se o resultado for igual ao valor à vista é porque os juros estão embutidos. "Na hora é difícil fazer essa conta. A pessoa precisaria estar com uma (calculadora) HP na mão", apontou Piccin.

Segundo Leite, a maneira mais fácil é buscar no mercado o menor preço à vista e comparar. "Uma boa forma de pesquisar é na internet. Antes de comprar o produto, você consegue ter uma boa base de quanto ele pode chegar ao valor à vista", indicou o professor da Trevisan.

Piccin advertiu também para os parcelamentos em "parcelas fixas", que muitas vezes não informam os juros incidentes, ou eles são tão pequenos (no anúncio) que passam despercebidos - sempre busque o preço total a prazo. "É uma coisa abusiva. As empresas ganham mais no financiamento do que na mercadoria", declarou.

Custo do crédito
Como a crise financeira freou a disponibilidade de crédito no País, o brasileiro está mudando sua preferência na hora de pagar as compras. De acordo com dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), as intenções de compra à vista cresceram 5,2% entre a primeira quinzena de fevereiro e de março deste ano - enquanto as consultas que indicam compras a prazo subiram apenas 2,2% no período.

Segundo os analistas, mesmo com os incentivos de governo para descongelar a oferta, o custo do crédito segue alto no Brasil. Além de pagar impostos embutidos nos preços, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços (ICMS), o consumidor paga também Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e as taxas referentes ao custo operacional do financiamento (contabilidade, recibos, lançamentos, risco de inadimplência).

"Nosso sistema tributário não é transparente. No caso das operações financeiras tem o IOF e a contribuição sobre o lucro líquido, que acabam encarecendo o crédito, quando no mundo inteiro não é normal tributar a operação financeira, mas econômica, sobre o produto que se compra", ressaltou o economista-chefe da ACSP, Marcel Solimeo.

"A vantagem do crédito é antecipar a aquisição do bem. O importante quando você vai fazer um compromisso é analisar a capacidade de pagamento mensal para não ter dificuldade. Comprar com crédito não é um mal desde que você planeje. O credito é que movimenta a economia como um todo", completou o economista.

"O ideal seria guardar o dinheiro e comprar à vista. Mas é preciso ser mais disciplinado e aplicar na poupança o valor mensal. Para quem compra um produto que vai ajudar na composição da renda, como um eletrodoméstico para vender refeições, é um investimento. Aí tudo bem, porque ajuda a ter renda maior", apontou Leite.

Em todos os casos, seja na compra de um imóvel, de um carro ou de um eletrodoméstico, não ter vergonha de "chorar" um desconto é sempre uma boa dica. "O caipira costumava dizer que pechinchar não custa nada", lembrou o professor de economia.

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Fonte: Invertia Invertia
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