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Comprador de mansão de ex-dono do Banco Santos dá calote

'Micado', imóvel consome R$ 50 mil por mês em manutenção e voltará a ser leiloado

8 ago 2019
08h42
atualizado às 09h32
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A "saga" da mansão do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, do finado Banco Santos, parecia ter chegado ao fim em maio, quando foi finalmente arrematada em um leilão judicial - por um comprador não revelado - por R$ 23,3 milhões. O preço poderia ser considerado uma pechincha, uma vez que o valor original pedido era de mais de R$ 76 milhões.

Mesmo assim, o arrematante acabou não honrando o pagamento, que deveria ter sido depositado sete dias úteis após a aquisição. "Ele nos justificou que tinha de trazer dinheiro de fora e que demoraria um pouco mais por causa disso, mas a regra do leilão era clara", disse ao Estado Vânio Aguiar, administrador da massa falida do Banco Santos.

Imagem aérea da mansão de Edemar Cid Ferreira capturada em 2004
Imagem aérea da mansão de Edemar Cid Ferreira capturada em 2004
Foto: Jonne Roriz / Estadão

Aguiar explicou que, mais uma vez, o imóvel concluído no início dos anos 2000, pouco antes da quebra do Banco Santos, voltou para a tutela da Justiça. Agora, deverá ser definida uma nova data para a operação e nomeado um novo leiloeiro para a mansão. A tendência, disse Aguiar, é que a casa já chegue ao próximo leilão com um gordo desconto, por cerca de R$ 28 milhões.

Estilo nababesco

Desde 2011, quando a família de Edemar Cid Ferreira foi obrigada a desocupar o imóvel pela Justiça, a mansão foi a leilão várias vezes. Às vezes a casa não era vendida por causa de uma liminar, em outras pela absoluta falta de interessados. Na véspera de um desses muitos certames, em 2017, a reportagem do Estado visitou a casa no Morumbi. À época, a maioria dos imóveis e muitas obras de arte ainda decoravam a mansão.

A curiosidade pelo imóvel é justificada pelo estilo superlativo. Instalada em terreno de 12 mil m², a residência tem 4,5 mil m² de área construída e inclui facilidades como duas piscinas - uma coberta e outra ao ar livre -, uma adega que pode abrigar 5 mil garrafas de vinho, duas bibliotecas e uma vista panorâmica da cidade, com os páreos de domingo do Jockey Club de São Paulo em primeiro plano.

O idílio do banqueiro, da mulher e de seus filhos na casa, no entanto, foi curto. Depois de anos de obras, a mansão ficou pronta poucos meses antes da falência do Banco Santos ser decretada, em 2005. Com isso, Cid Ferreira foi obrigado a repensar o uso de certas alas de seu palácio. Conhecida pelo fascínio por arte, a família reservara uma ala da mansão para suítes que abrigariam artistas importantes de passagem por São Paulo.

Logo, porém, esses quartos tiveram sua função modificada: viraram um bunker da defesa do ex-banqueiro, com pilhas de processos tomando todo o espaço. Depois de os Cid Ferreira terem sido obrigados a deixar a casa, todos os cômodos foram esvaziados, embora alguns objetos pessoais dos ex-bilionários, incluindo camas e aparelhos de ginástica, tenham sido deixados para trás.

Ao longo desta década, a residência - que contabilizava quatro moradores e 54 empregados -, custou milhões à massa falida. Isso porque o projeto do arquiteto Ruy Ohtake já incluía, 15 anos atrás, a automação de persianas e um sistema completo de ar-condicionado - luxos que elevaram a conta de luz para R$ 100 mil por mês.

Além dos gastos fixos salgados, um eventual novo dono também terá de arcar com uma reforma, já que os problemas se proliferam entre corredores de mármore e escadarias suntuosas: há pisos de madeira podres, lâmpadas caídas e portas que já não abrem e nem fecham.

Distribuição

Apesar de a mansão não ter sido arrematada, Vânio Aguiar esclarece que o dinheiro relativo à venda do imóvel que abrigava a sede do Banco Santos, na Marginal Pinheiros, e da coleção de obras de arte de Edemar Cid Ferreira, chegará às mãos dos credores. Parte dos quadros e objetos teve de ser repatriada, pois se encontrava nos Estados Unidos.

O valor a ser distribuído aos credores com essas vendas, segundo o administrador judicial, é de R$ 300 milhões. O valor é equivalente a 22% do total dos débitos e seria suficiente para pagar todos os que têm até R$ 3 mil a receber, segundo documento publicado no site do Banco Santos.

O destino da mansão do Morumbi, no entanto, segue indefinido quase 14 anos depois da decretação da falência do Banco Santos.

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Estadão
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