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Compass Gás e Energia, dona da Comgás, deve quebrar jejum de IPOs e ir à Bolsa avaliada em R$ 25 bi

Com receita de R$ 16,6 bi no ano passado, empresa da Cosan atua em comercialização, infraestrutura e distribuição de gás natural e transição energética; companhia pode captar R$ 5 bi e, entre riscos citados no prospecto, estão crise na Raízen e guerra no Irã

28 abr 2026 - 12h13
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A Compass Gás e Energia deve colocar fim ao jejum de mais de quatro anos sem ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no Brasil. Sua abertura de capital, cujo valor será conhecido na quinta, 7, pode fazer com que a empresa chegue à B3 avaliada entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões, segundo prospecto da operação apresentado a investidores na manhã desta terça, 28.

Com a venda do lote base de ações e do suplementar, previsto em caso de alta demanda, a Compass pode captar mais de R$ 5 bilhões.

A Compass, que pertence ao Grupo Cosan, é uma empresa especializada na compra e venda, infraestrutura e distribuição de gás natural, que tem como discurso a transição energética. No ano passado, sua receita líquida chegou a R$ 16,6 bilhões e o lucro líquido alcançou R$ 1,46 bilhão, com geração de caixa de quase R$ 5 bilhões.

Operação da Comgás: infraestrutura em crescimento
Operação da Comgás: infraestrutura em crescimento
Foto: Divulgação/Comgás. / Estadão

Na área de distribuição, a Compass é dona de sete empresas estaduais, sendo a mais conhecida a paulista Comgás. Também fazem parte da lista a Sulgás (RS) e a Compagas (PR). Uma de suas subsidiárias, a Commit (joint venture com o grupo Mitsui), é dona da SCGás (SC), MSGás (MS) e Gasap (AP).

Em novembro de 2024, a Compass vendeu suas participações em distribuidoras da região Nordeste (como Bahiagás, Cegás, Copergás, entre outras) para a Infra S.A., como parte de acordos com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

As operações de infraestrutura da Compass são voltadas à regaseificação e ao transporte (por meio de dutos) e estão concentradas principalmente no Sudeste, com destaque para o Porto de Santos. Essa tem sido uma das áreas que mais tem recebido investimentos, com o objetivo de criar uma malha própria de suprimento e redes de distribuição. Nos últimos dois anos, os investimentos da Compass superaram os R$ 2 bilhões ao ano.

A companhia também tem uma frente de comercialização e trading no mercado livre de gás e energia, por meio da Edge. Segundo a empresa, essa estrutura funciona como uma "ponte" estratégica entre a oferta de gás/energia e a demanda de grandes consumidores.

Numa parceria com a Orizon Gestão de Recursos, a Edge inaugurou, em março, a OneBio, maior produtora de biometano do Brasil e da América Latina e terceira maior no ranking mundial. Com investimentos de R$ 450 milhões, a unidade usa biogás gerado a partir da decomposição de resíduos sólidos urbanos no Ecoparque da Orizon, em Paulínia (SP), que substituiu um antigo aterro sanitário.

Detalhes da oferta inicial

A venda das ações está sendo feita pela Cosan, que vai usar o dinheiro para reduzir seu endividamento, e fundos das gestoras Atmos, Prisma Capital e Brasil Capital, além da Bradesco Previdência e da Manaslu, empresa com sede nos EUA. Foi estabelecido um período de restrição de venda (lock-up) de 180 dias para esses vendedores, após a conclusão do IPO.

A faixa sugerida de preço das ações vai de R$ 28 a R$ 35. O lote base, com 89,3 milhões de ações, pode ser aumentado em mais 56,3 milhões de papéis dos lotes base e suplementar, o que pode levar a oferta a R$ 4,6 bilhões, considerando um preço na média da faixa.

O prospecto da oferta de ações citou a guerra no Irã e a crise da Raízen, que também pertence ao grupo Cosan, entre os fatores de risco para o negócio. Também eventuais conflitos entre o BTG e o Bradesco, os maiores acionistas da Cosan Dez, que detém 88% da Compass.

No caso da Raízen, o texto ressalta que eventual deterioração da situação financeira da companhia, que pertence ao grupo Cosan e está em processo de renegociação de dívida com credores, "poderá afetar a percepção de risco de credores e investidores" em relação à Compass.

Também pode gerar a necessidade de "obtenção de waivers ou de renegociação de contratos" com determinados credores, "resultando em condições menos favoráveis de financiamento e aumento do custo de captação, o que poderá afetar adversamente sua condição financeira e liquidez".

No caso do Bradesco e do BTG, que, de acordo com fontes, tiveram divergências sobre a cisão da Cosan Dez, o prospecto menciona que os dois bancos podem ter "interesses que não estejam integralmente alinhados ou que eventualmente entrem em conflito com os interesses dos demais investidores da oferta". Assim, a atuação dos dois bancos na condução da oferta "pode impactar, ainda que de forma indireta, a formação do preço por ação e/ou a alocação das ações", ressalta o primeiro fator de risco do documento.

Estadão
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