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Como a Amazon se transformou na empresa mais valiosa do mundo

Gigante do comércio eletrônico assumiu a liderança do ranking, desbancando a Microsoft, em meio a um cenário de volatilidade no valor de mercado das gigantes da tecnologia.

9 jan 2019
21h15
atualizado em 10/1/2019 às 09h20
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A Amazon se tornou na segunda-feira a empresa mais valiosa do mundo.

Jeff Bezos, fundador da Amazon, é o homem mais rico do mundo, segundo a Bloomberg
Jeff Bezos, fundador da Amazon, é o homem mais rico do mundo, segundo a Bloomberg
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Criada há 25 anos, a gigante do comércio eletrônico atingiu um valor de mercado de US$ 797 bilhões, desbancando a Microsoft, avaliada em US$ 789 bilhões.

É a primeira vez que a Amazon alcança a liderança do ranking. Isso acontece em um contexto em que o preço das ações das grandes empresas de tecnologia americanas apresentou queda nos últimos meses, devido ao declínio nas vendas e à preocupação do mercado com as tensões comerciais.

Seu fundador, Jeff Bezos, é o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 135 bilhões, segundo a Bloomberg.

Muito além das vendas online

Na última década, as vendas da companhia dispararam, assim como seu valor de mercado.

Fundada em 1994 com o nome de "Cadabra", a empresa teve início em uma garagem de Seattle, nos Estados Unidos, como uma startup que vendia livros usados. Mas em dois anos já operava em diferentes cidades do país.

Em 1997, as ações da companhia começaram a ser negociadas na bolsa, alcançando um valor de US$ 54 milhões, e Bezos entrou para a lista de milionários com apenas 35 anos.

A partir daí, a empresa se dedicou ao crescimento, reinvestindo o faturamento em depósitos, redes de distribuição e tecnologia para armazenamento de informação.

Em 2017, expandiu seus negócios com a compra da rede varejista de alimentos Whole Foods Market, por US$ 13,7 bilhões, apostando pela primeira vez em um negócio com lojas físicas.

A Amazon atingiu nesta semana um valor de mercado de US$ 797 bilhões
A Amazon atingiu nesta semana um valor de mercado de US$ 797 bilhões
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Em paralelo, a empresa se tornou uma das maiores criadoras de conteúdo original da indústria do entretenimento, produzindo séries de televisão originais.

Além disso, comprou os direitos de transmissão de esportes ao vivo, como o futebol da Premier League na Inglaterra e os torneios de tênis da ATP.

Embora a Amazon seja famosa pela venda online de produtos que vão desde roupas a equipamentos eletrônicos e até mesmo alimentos, também opera outro negócio menos conhecido: o armazenamento de dados na nuvem.

Aliás, a Amazon Web Services está concorrendo com gigantes da tecnologia como a Oracle e a Microsoft em uma licitação de US$ 10 bilhões para armazenar na nuvem dados do Pentágono, órgão de defesa dos Estados Unidos.

O contrato do chamado Empreendimento Conjunto de Infraestrutura de Defesa (Jedi, na sigla em inglês) será concedido a apenas uma empresa, que será responsável pelo fornecimento do serviço.

A Amazon tem sido criticada pelas concorrentes como um competidor que largou com vantagem, uma vez que já tem, atualmente, um contrato com a CIA (agência de inteligência americana), em que gerencia dados altamente sigilosos.

Microsoft, Apple e Google

O valor de mercado das grandes empresas de tecnologia sofreu uma forte volatilidade nos últimos meses, fenômeno que deu à Amazon a oportunidade de assumir a liderança das companhias conhecidas como "The Big 4": Apple, Microsoft, Alphabet (dona do Google) e Amazon.

Em agosto do ano passado, a Apple se tornou a primeira empresa de capital aberto a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão, enquanto a Amazon alcançou a mesma marca em setembro.

Na ocasião, o ranking era liderado pela Apple, seguida pela Amazon, Microsoft e Alphabet.

Mas o cenário começou a mudar.

Depois que a Apple antecipou há alguns dias uma queda nas vendas, ações da empresa despencaram e seu valor de mercado caiu para US$ 702 bilhões.

A preocupação dos investidores é que a guerra comercial entre Estados Unidos e China, junto a outros fatores, como a desaceleração econômica de Pequim e o declínio nas vendas de iPhones, afetem a companhia.

A Microsoft, por outro lado, não foi desbancada da liderança por conta de uma crise, mas porque a Amazon a ultrapassou no ranking por uma margem estreita.

Já a Alphabet também tem estado sujeita à volatilidade, mas com menos altos e baixos do que as outras empresas.

E assim, em meio a águas tão turbulentas, a Amazon aproveitou a deixa para se tornar a empresa mais valiosa do mundo.

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