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Com Brasil, ministros das Finanças do G7 tentam superar divergências e salvar unidade do grupo

Em plena crise de confiança entre antigos aliados, os ministros das Finanças do G7 encerram nesta terça-feira (19), em Paris, dois dias de reuniões preparatórias para a cúpula do grupo, sediada na França em 2026. A guerra no Irã e o impacto mundial nos preços do petróleo estão no centro das discussões - na tentativa de evitar que a crise energética se transforme em uma nova crise econômica global.

19 mai 2026 - 07h21
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Lúcia Müzell, da RFI em Paris

Roland Lescure (à esquerda), ministro da Economia da França, e François Villeroy de Galhau, presidente do Banco Central francês, recebem Dario Durigan (centro), ministro da Fazenda do Brasil. 18 de maio de 2026
Roland Lescure (à esquerda), ministro da Economia da França, e François Villeroy de Galhau, presidente do Banco Central francês, recebem Dario Durigan (centro), ministro da Fazenda do Brasil. 18 de maio de 2026
Foto: AFP - KENZO TRIBOUILLARD / RFI

Além dos ministros e presidentes de bancos centrais do G7, formado por França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Canadá, Japão e Estados Unidos, quatro países foram convidados a participar, entre eles o Brasil. Além destes, três monarquias do Golfo - os Emirados Árabes Unidos, o Catar e a Arábia Saudita - se juntam para um almoço de trabalho antes do encerramento do evento.

O foco será a crise gerada pela guerra no Oriente Médio e o desbloqueio do estreito de Ormuz, por onde circulam 20% dos hidrocarbonetos exportados para o resto do mundo. Desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o trânsito de navios petroleiros na região está praticamente paralisado.

Como consequência, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento global menor e uma inflação mais alta em 2026. O temor inflacionário desencadeou uma onda de vendas de títulos do governo nos últimos dias, gerando alta nas taxas de juros da dívida soberana dos países. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou contra a adoção de "medidas que possam agravar" a inflação.

Desequilíbrios na economia mundial

Para atenuar a alta dos preços do petróleo, Washington suspendeu as sanções ao petróleo russo, aplicadas pelos ocidentais devido à guerra na Ucrânia - uma medida unilateral que desagradou os aliados europeus. "Tivemos discussões extremamente francas entre pessoas que não necessariamente concordam em tudo, mas que são capazes de conversar sobre tudo", disse o ministro francês da Economia, Roland Lescure, ao garantir que, ao final das reuniões, um comunicado comum será publicado.

"Estamos enfrentando grandes desafios: a guerra no Oriente Médio, obviamente, os desequilíbrios multilaterais que agora são insustentáveis, as questões em torno dos elementos de terras raras, materiais críticos e ajuda ao desenvolvimento", havia salientado o ministro francês, na segunda-feira (18).

Em uma coletiva na semana passada, Lescure explicou que o mundo está dividido em três grandes regiões, "cada uma enfrentando seus próprios desafios". "A China, que não consome o suficiente; os Estados Unidos, que consomem demais; e a Europa, que não investe o suficiente. Esses desequilíbrios globais se tornaram um problema comum que deve ser abordado, antes de mais nada, no âmbito do G7", afirmou o anfitrião da reunião, que reconheceu "divergências fundamentais" com os "amigos americanos", em especial sobre o futuro do comércio internacional.

O G7 também vive uma crise existencial: as sete potências fundadoras do "clube dos ricos" hoje representam apenas 30% do PIB mundial, quase metade do que pesavam em 1975, quando o grupo foi criado. O G7 é fruto de uma iniciativa do então presidente francês, Valéry Giscard d'Estaing, após o primeiro grande choque mundial de petróleo.

Investimentos no Brasil

Neste contexto, as potências emergentes têm sido convidadas a participar dos debates, em uma tentativa de dar mais equilíbrio ao grupo - embora a China, a segunda maior economia mundial, continue de fora. Nas reuniões em Bercy, sede do Ministério das Finanças francês, o ministro da Fazenda do Brasil aproveita a ocasião para atrair investimentos estrangeiros ao país, que possui não apenas abundância de petróleo e energias renováveis, como detém as segundas maiores reservas globais de minerais críticos.

"O Brasil é um porto seguro de atração de investimento. Um fórum como o G7 permite fazer esse debate e mostrar como a gente tem melhorado a situação econômica no Brasil do ponto de vista macro, com os números todos que a gente tem apresentado", afirmou Dario Durigan nesta segunda-feira. "O nosso real está estável, a bolsa brasileira, apesar das últimas semanas ter sofrido, como todas no mundo sofreram, é a bolsa que mais tem respondido bem a investimentos, como os ativos brasileiros ainda me parecem parecem interessantes, como estão ainda baratos", explicou.

À margem das reuniões oficiais do G7, Durigan terá três encontros bilaterais, com os ministros do Japão e do Canadá e o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. A recente aprovação na Câmara dos Deputados do novo marco regulatório de terras raras e minerais críticos no Brasil poderá impulsionar investimentos em um setor estratégico para a economia digital, ao mesmo tempo em que tem o potencial de alavancar a indústria nacional, avalia o ministro. A garantia de acesso a esses minerais é um dos principais assuntos do encontro ministerial em Paris.

"É fundamental dar segurança jurídica, por isso um novo marco que garanta procedimentos céleres e seguros, evitando judicialização, com grande pactuação com o setor", argumentou. "Há um grande interesse nessa área", frisou Durigan.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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