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Chair do Fed vai ao Congresso após dar sinais cautelosos para se distanciar de Trump

14 jul 2026 - 08h51
(atualizado às 09h53)
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Na cerimônia de posse do ‌chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, em maio, o presidente Donald Trump demonstrou grande entusiasmo com sua escolha para liderar o banco central dos Estados Unidos, levantando o punho e aplaudindo ao lado de autoridades do governo reunidas na Casa Branca.

"Vá em frente", disse Trump quando Warsh subiu ao palco para um discurso ⁠de cerca de sete minutos, que durou apenas um terço do tempo das palavras ‌de Trump e combinou elogios ao presidente com as ambições do novo chefe do Fed para o banco central.

Assim como o ex-chair do Fed Jerome ‌Powell se destacou por reconstruir o relacionamento do banco ‌central com o Congresso, o potencial de Warsh para manter a ⁠confiança de Trump pode se revelar um trunfo importante à medida que ele administra a política monetária em um momento de incerteza na economia e supervisiona um processo de revisão que aborda questões importantes para o Fed e para o país.

Em depoimento preparado para ser apresentado nesta terça-feira, na primeira de duas audiências ‌no Congresso previstas para esta semana, Warsh reiterou que sua principal prioridade neste momento ‌é levar a inflação de ⁠volta à meta ⁠de 2% do Fed. Esse objetivo é bem-vindo entre aqueles que ele chamou de seus "excelentes colegas" ⁠no banco central, mas pode exigir ‌que frustre os repetidos desejos de ‌Trump por uma taxa de juros mais baixa.

"Se acertarmos na política monetária — e acertaremos — o surto inflacionário dos últimos cinco anos será coisa do passado", disse Warsh em declarações que serão apresentadas perante o Comitê de Serviços ⁠Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA em uma audiência com início às 11h (horário de Brasília).

O novo chair do Fed comparecerá perante o Conitê Bancário do Senado às 11h também na quarta-feira. Esse comitê, também controlado pelos republicanos, recomendou a aprovação de Warsh ao plenário do ‌Senado em uma votação dividida no final de abril, com os democratas expressando preocupações específicas sobre sua relação com Trump e se ele seria verdadeiramente independente ⁠após um processo de seleção no qual o presidente afirmou que só indicaria alguém de quem tivesse certeza de que reduziria os juros.

Os primeiros passos de Warsh são vistos como uma demonstração de maior distância em relação a Trump, com suas nomeações para uma série de forças-tarefa na semana passada se destacando pelo nível de especialização e pela ausência do tipo de figuras ideológicas ou partidárias levadas a outras agências.

"Se as pessoas estavam preocupadas que ele fosse um 'fantoche', esses temores deveriam ter desaparecido após a primeira coletiva de imprensa" depois da decisão do Fed de manter os juros, quando os comentários de Warsh foram vistos como inclinados a mantê-los assim, disse Jon Faust, ex-assessor sênior de Powell e agora professor de economia na Universidade Johns Hopkins.

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