Chair do Fed vai ao Congresso após dar sinais cautelosos para se distanciar de Trump
Na cerimônia de posse do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, em maio, o presidente Donald Trump demonstrou grande entusiasmo com sua escolha para liderar o banco central dos Estados Unidos, levantando o punho e aplaudindo ao lado de autoridades do governo reunidas na Casa Branca.
"Vá em frente", disse Trump quando Warsh subiu ao palco para um discurso de cerca de sete minutos, que durou apenas um terço do tempo das palavras de Trump e combinou elogios ao presidente com as ambições do novo chefe do Fed para o banco central.
Assim como o ex-chair do Fed Jerome Powell se destacou por reconstruir o relacionamento do banco central com o Congresso, o potencial de Warsh para manter a confiança de Trump pode se revelar um trunfo importante à medida que ele administra a política monetária em um momento de incerteza na economia e supervisiona um processo de revisão que aborda questões importantes para o Fed e para o país.
Em depoimento preparado para ser apresentado nesta terça-feira, na primeira de duas audiências no Congresso previstas para esta semana, Warsh reiterou que sua principal prioridade neste momento é levar a inflação de volta à meta de 2% do Fed. Esse objetivo é bem-vindo entre aqueles que ele chamou de seus "excelentes colegas" no banco central, mas pode exigir que frustre os repetidos desejos de Trump por uma taxa de juros mais baixa.
"Se acertarmos na política monetária — e acertaremos — o surto inflacionário dos últimos cinco anos será coisa do passado", disse Warsh em declarações que serão apresentadas perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA em uma audiência com início às 11h (horário de Brasília).
O novo chair do Fed comparecerá perante o Conitê Bancário do Senado às 11h também na quarta-feira. Esse comitê, também controlado pelos republicanos, recomendou a aprovação de Warsh ao plenário do Senado em uma votação dividida no final de abril, com os democratas expressando preocupações específicas sobre sua relação com Trump e se ele seria verdadeiramente independente após um processo de seleção no qual o presidente afirmou que só indicaria alguém de quem tivesse certeza de que reduziria os juros.
Os primeiros passos de Warsh são vistos como uma demonstração de maior distância em relação a Trump, com suas nomeações para uma série de forças-tarefa na semana passada se destacando pelo nível de especialização e pela ausência do tipo de figuras ideológicas ou partidárias levadas a outras agências.
"Se as pessoas estavam preocupadas que ele fosse um 'fantoche', esses temores deveriam ter desaparecido após a primeira coletiva de imprensa" depois da decisão do Fed de manter os juros, quando os comentários de Warsh foram vistos como inclinados a mantê-los assim, disse Jon Faust, ex-assessor sênior de Powell e agora professor de economia na Universidade Johns Hopkins.
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