Casas Bahia: recuperação judicial permitirá captar crédito de curto prazo, diz CEO
Segundo Renato Franklin, desde 2023 a empresa tentava resolver as obrigações gradualmente e sem recorrer a essa medida mais extrema de reestruturação
A Casas Bahia pretende utilizar a recuperação judicial para captar linhas de crédito de curto prazo e viabilizar a monetização de ativos, afirmou o presidente da varejista, Renato Franklin, nesta segunda-feira, 17, após a companhia anunciar ter entrado com o pedido dessa medida de reestruturação financeira.
"Precisamos tirar esse peso do passivo estrutural, que vem de muitos anos atrás e que não conseguimos endereçar", afirmou. Segundo ele, a empresa tentou resolver essas obrigações gradualmente e sem recorrer à recuperação judicial desde 2023.
Franklin disse que a companhia continuará avaliando a venda de ativos não essenciais e formas de monetizar sua infraestrutura logística. A empresa também espera manter maior estabilidade nas vendas do que companhias que passaram por recuperações judiciais no passado.
As lojas e os canais digitais mantidos após o redimensionamento continuam operando. Para o CEO, a escala da Casas Bahia e sua interdependência com fornecedores e credores devem favorecer as negociações durante o processo.
A empresa busca chegar a uma operação menor
A empresa também reduziu seus investimentos em quase 40% como parte da segunda fase de seu plano de transformação.
O redimensionamento também envolve o fechamento de 298 lojas menos rentáveis, a redução da estrutura corporativa, a eliminação de níveis hierárquicos e a revisão de contratos e despesas. As unidades encerradas tinham, em média, uma participação do crediário nas vendas 7 pontos porcentuais menor, o que prejudicava sua rentabilidade.
A companhia também decidiu reduzir volumes em canais online com margem negativa e acelerar a monetização de ativos não essenciais. "Voltamos para uma postura mais parecida com o início do plano, priorizando geração de caixa e rentabilidade", afirmou Franklin.
O objetivo é ajustar o tamanho da companhia à sua capacidade de financiamento. Segundo o CEO, a empresa busca chegar a uma operação menor, mais rentável e capaz de sustentar suas próprias necessidades de caixa.
Captação internacional segue em discussão
A operação de captação internacional negociada pela Casas Bahia continua em discussão, mas ainda não possui data para ser concluída nem compromisso firme de aporte, afirmou Franklin.
Os recursos eram esperados no segundo trimestre e faziam parte do planejamento financeiro da varejista. Segundo o executivo, a piora do cenário macroeconômico e geopolítico atrasou a negociação e elevou o custo da operação.
"No fim do segundo trimestre, tivemos uma redução expressiva dos estoques e o prazo dos fornecedores já estava alongado. Ficou muito difícil conseguir mais uma alavanca", afirmou.
Sem segurança sobre o ingresso dos recursos, a companhia deixou de considerar a captação em seu plano de negócios. A Casas Bahia também avaliava uma oferta subsequente de ações, mas descartou a alternativa após o fechamento da janela de mercado em abril.
O CEO afirmou ainda que a empresa conseguiu alongar os prazos de pagamento com fornecedores, mas não obteve o aumento esperado dos limites concedidos por seguradoras de crédito.
Em alguns casos, houve redução desses limites, comprometendo a capacidade de compra da varejista. "A operação vem funcionando, mas a liquidez está bastante apertada", afirmou.
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