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BRB ainda precisa de aporte e fará assembleia amanhã após vender R$ 15 bilhões do Master; entenda

Banco de Brasília comunicou venda de R$ 15 bilhões em ativos que eram do Master, mas ainda depende de dinheiro novo do Distrito Federal para solucionar crise

21 abr 2026 - 14h16
(atualizado às 14h40)
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BRASÍLIA — O Banco de Brasília (BRB) deve ter um alívio na liquidez, mas ainda precisará de um aporte do governo do Distrito Federal após anunciar um acordo para vender R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master e estão no balanço da instituição.

O Banco de Brasília (BRB) deve ter um alívio na liquidez, mas ainda precisará de um aporte do governo do Distrito Federal após anunciar a venda de R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master e estão no balanço da instituição.
O Banco de Brasília (BRB) deve ter um alívio na liquidez, mas ainda precisará de um aporte do governo do Distrito Federal após anunciar a venda de R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master e estão no balanço da instituição.
Foto: Paulo H. Carvalho/Agencia Brasília / Estadão

O banco se prepara para realizar uma assembleia de acionistas às 10h desta quarta-feira, 22, quando colocará em votação o plano de socorro, após adiar a divulgação do balanço no fim de março. A proposta prevê um aporte de até R$ 8,86 bilhões no BRB.

O governo distrital não tem o dinheiro em caixa e tenta pegar um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e de outros bancos, mas ainda não recebeu uma resposta positiva. A cúpula do Distrito Federal quer solucionar a crise até o fim de maio.

Na noite de segunda-feira, 20, o BRB comunicou ao mercado financeiro que assinou um acordo com a gestora Quadra Capital para vender R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master e que ainda estão no balanço do BRB. Esses ativos estão se desvalorizando e estavam contribuindo para o derretimento do banco.

A carteira tinha um valor inicial de R$ 20 bilhões, mas já se desvalorizou e foi negociada por R$ 15 bilhões. Os ativos serão colocados em um fundo de investimento ainda a ser estruturado. O BRB comunicou que vai receber de R$ 3 a R$ 4 bilhões em dinheiro à vista pela venda dos ativos. O restante, R$ 11 ou R$ 12 bilhões, se transformará em cotas subordinadas do fundo — que poderão ganhar ou perder valor e serem vendidas no futuro. Por isso, é uma solução contábil incerta.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que a negociação é importante para estancar a crise de liquidez do banco, ao comentar a proposta, no último dia 10. "O banco não sangra na mesma proporção se esse ativo estivesse dentro do banco", disse Souza ao Estadão. "Isso nós dá muito mais fôlego para vender os ativos a empresas especializadas."

O BRB tem dois problemas para resolver após negociar com o Banco Master. Um diz respeito à liquidez do banco. A venda injeta dinheiro na instituição e alivia a necessidade financeira momentaneamente. O segundo problema é mais difícil de resolver. Como os ativos do Master se desvalorizaram, o banco precisa de um aporte — ou seja, dinheiro novo — do controlador para não ficar com o patrimônio "negativo" e parar de funcionar.

É como se uma pessoa tivesse uma casa e uma tempestade levasse o telhado da residência, diminuindo o valor do patrimônio. Ela pode vender o carro que está na garagem para conseguir dinheiro rápido e reconstruir o telhado, mas o patrimônio continua menor, pois apenas trocou o carro por dinheiro. O dono precisará de dinheiro novo para recuperar o que tinha antes. É o que o governo do Distrito Federal precisa fazer no BRB.

O rombo do Master no Banco de Brasília é calculado em R$ 8,8 bilhões. Segundo fontes do banco, um aporte de R$ 6 bilhões já resolveria o problema de capital e manteria o Banco de Brasília no Índice de Basileia, uma espécie de indicador de saúde financeira dos bancos exigido pelo Banco Central. Esse é o valor do empréstimo que o governo do Distrito Federal tenta conseguir, mas ainda não teve sucesso.

A Quadra Capital, que fez a proposta pelos ativos do Master, é uma gestora de recursos independente, fundada em 2016, em São Paulo, por Nilto Calixto, ex-Credit Suisse. Em seu site, a empresa diz gerir mais de 35 fundos de investimento com mandatos amplos, que visam a "alocação em operações transformacionais e de longo prazo". A empresa é conhecida no mercado por lidar com a estruturação de ativos de risco e mais complexos.

A proposta da gestora de investimentos foi enviada ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o BRB, a proposta não precisa ser aprovada, mas esse é um gesto para manter a credibilidade e comunicar o que o banco está fazendo para se manter em pé. O plano de capital, por sua vez, precisa ser aprovado pelos acionistas, e o principal deles é o próprio governo do Distrito Federal. Ou seja, o plano deve ser aprovado.

Em entrevista ao Estadão, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) enfatizou que a gestão quer resolver o problema do BRB antes da eleição. "Todas as ações estão acontecendo, temos várias propostas para vários ativos poderosos do BRB e logo estaremos mudando essa página", afirmou. "O BRB sempre foi um banco público muito forte. O objetivo do banco não é ser privado. É voltar à normalidade."

Aliados da governadora temem os impactos da crise do Banco Master na campanha dela à reeleição. Celina tenta se descolar da crise e afirmou que o BRB foi vítima de fraudes cometidas pelo ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa. Além disso, ela também tenta de diferenciar do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem era vice, que comandou a operação política para comprar o Banco Master.

Em nota divulgada nesta terça-feira, 21, a governadora afirmou que "segue trabalhando de forma incansável, técnica, transparente e determinada para garantir a solidez, a credibilidade e o futuro do BRB". Segundo ela, o acordo com a gestora Quadra Capital representa um passo importante para fortalecer a instituição e preservar o papel estratégico do banco no desenvolvimento do Distrito Federal. "A expectativa é positiva e os avanços são reais, ainda que algumas etapas técnicas e formais precisem ser concluídas."

Estadão
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