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Indicado de Trump para o Fed promete manter política monetária independente

21 abr 2026 - 12h36
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Kevin Warsh, indicado do presidente dos Estados Unidos, ‌Donald Trump, para o cargo de chair do Federal Reserve, disse aos senadores dos EUA nesta terça-feira que tomará decisões de política monetária independentemente de qualquer conselho ou pressão de Trump, destacando o sucesso em manter a inflação baixa como a "armadura" que isolará o banco central das críticas.

"A independência da política monetária é essencial", disse Warsh em uma declaração pública entregue aos membros do Comitê Bancário ⁠do Senado dos EUA, que decidirão sobre sua confirmação para uma cadeira na diretoria do Fed, bem ‌como para um mandato de quatro anos como chefe do banco central norte-americano, acrescentando que "cabe em grande parte ao Fed" manter essa independência, alcançando seus objetivos e não se desviando de seu ‌mandato.

"Não acredito que a independência operacional da política monetária seja ‌particularmente ameaçada quando as autoridades eleitas - presidentes, senadores ou membros da Câmara (dos Deputados) - expressam ⁠suas opiniões sobre as taxas de juros", disse o financista de 56 anos e ex-diretor do Fed.

"O Congresso encarregou o Fed da missão de garantir a estabilidade dos preços, sem desculpas ou equívocos, argumentos ou angústias. A inflação é uma escolha, e o Fed deve assumir a responsabilidade por ela. A inflação baixa é a armadura do Fed."

Mesmo antes de Warsh fazer seus comentários iniciais, Trump repetiu ‌em uma entrevista à CNBC que ficaria desapontado se seu indicado escolhido a dedo para suceder o ‌atual chair do Fed, Jerome ⁠Powell, não cortasse os juros ⁠rapidamente. Essa expectativa é uma tarefa árdua para um líder do banco central que precisa obter votos de ⁠pares ainda preocupados com o impacto de um choque ‌contínuo nos preços do petróleo sobre ‌a inflação, que já está acima da meta de 2% do Fed.

Warsh afirmou que os cortes nos juros são justificados porque as mudanças tecnológicas desencadeadas pela inteligência artificial aumentarão a produtividade, uma visão que, segundo outros banqueiros centrais, pode ser verdadeira ao longo do tempo, mas ⁠não necessariamente fará com que a redução dos juros seja apropriada no curto prazo.

O Fed não atingiu sua meta de 2% por mais de cinco anos, primeiro devido ao choque da pandemia da Covid-19 e, mais recentemente, devido à influência das tarifas comerciais do governo Trump e aos altos preços do petróleo ligados à guerra no Oriente ‌Médio, um problema em potencial para os parlamentares republicanos que se preparam para as eleições de meio de mandato em novembro.

Trump tem se desentendido repetidamente com Powell sobre a política monetária desde ⁠que o nomeou chair do Fed em seu primeiro mandato na Casa Branca. O mandato de Powell como chefe do banco central termina formalmente em 15 de maio, mas ele poderia ficar mais tempo no cargo se a confirmação de Warsh for adiada.

Até o momento, o momento de uma recomendação do comitê ou de uma votação sobre a indicação no plenário do Senado é incerto.

O senador republicano Thom Tillis, membro do comitê, disse que bloqueará a nomeação de Warsh até que o Departamento de Justiça dos EUA abandone uma investigação sobre Powell que o senador considera frívola e parte do esforço de Trump para pressionar o Fed a reduzir as taxas ou forçar Powell a renunciar.

Embora a reunião de política monetária do Fed da próxima semana possa ser a última de Powell como chair do Fed, o impasse aumentou a perspectiva de que ele permanecerá no cargo mesmo após o término formal de seu mandato.

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