Brasil sedia assinatura de acordo Mercosul-Efta em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos
Ainda sob o impacto do tarifaço de Donald Trump, o Brasil sediará reunião de assinatura do acordo de livre comércio entre os países do Mercosul e da Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) — Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — nesta terça-feira (16). A previsão é de liberalização 97% das exportações dos dois lados assim que entrar em vigor, o que só acontecerá depois que o documento for aprovado pelos parlamentos de todas as nações envolvidas. Mas o gesto político está feito.
Ainda sob o impacto do tarifaço de Donald Trump, o Brasil sediará reunião de assinatura do acordo de livre comércio entre os países do Mercosul e da Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) — Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — nesta terça-feira (16). A previsão é de liberalização 97% das exportações dos dois lados assim que entrar em vigor, o que só acontecerá depois que o documento for aprovado pelos parlamentos de todas as nações envolvidas. Mas o gesto político está feito.
Vivian Oswald, correspondente da RFI no Rio de Janeiro
Este será o primeiro grande entendimento firmado sob a presidência pro tempore brasileira, que aposta todas as suas fichas na assinatura do acordo com a UE em dezembro deste ano, durante sua reunião de cúpula. Aliás, o tratado terá dos dois lados duas das nações mais atingidas pelas tarifas americanas: o Brasil, com 50%, e a Suíça, com 39%. Os suíços são o terceiro maior fornecedor de medicamentos para o mercado brasileiro, onde concorre com produtos americanos.
O tratado com o Efta abrange o comércio de bens e serviços. Para alguns setores, como industrial e pesqueiro, as tarifas de importação serão zeradas. Para outros, serão estabelecidas ou ampliadas cotas para facilitar as exportações em relação aos níveis atuais. De seu lado, o governo brasileiro conta com aumento das exportações de carnes, milho, farelo de soja, melaço de cana, mel, café torrado, álcool etílico e frutas. O tratado ainda prevê temas como propriedade intelectual, concorrência e medidas sanitárias e fitossanitárias.
O acordo cria um mercado de aproximadamente 300 milhões de pessoas. E, como se trata de países muito ricos, o Produto Interno Bruto (PIB) dos dois blocos somado gira em torno de US$ 4,3 trilhões. O compromisso com a UE deve levar a um mercado de mais de 720 milhões de pessoas que somará US$ 22 trilhões, criando assim a maior zona de livre comércio do mundo.
O encontro, que está sendo chamado pelo Itamaraty de reunião informal de chanceleres, ainda tratará das perspectivas de integração regional. A presidência brasileira também deve chamar a atenção para a necessidade de apoio à adesão da Bolívia, além de lançar, como prioridade, a "Estratégia Mercosul de Combate ao Crime Organizado". Esta última reforça uma resposta coordenada dos países da região sobre a necessidade de "tomar as rédeas" do combate aos ilícitos transnacionais na região, com destaque para o narcotráfico. Este seria recado claro para Trump, que vem usando o tema como desculpa para deslocar efetivo para a região.
A reunião, comandada pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro Mauro Vieira, será no Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, por volta do meio dia. Estão confirmados os chanceleres dos países de ambos os blocos.
Até o momento, todos os chanceleres do Mercosul estão confirmados (menos Paraguai, que participa com Vice). Pela EFTA estarão presentes o Representante Permanente para as Nações Unidas de Liechtenstein, Embaixador Frank Büchel, o ministro da Cultura, Inovação e Universidades da Islândia, Logi Einarsson, a ministra de Comércio e Indústria da Noruega, Cecile Myrseth e o vice-Presidente e Conselheiro Federal da Suíça, Guy Parmelin.