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Bolsonaro defende Renda Cidadã e vê teto como trilho

Presidente afirmou que o seu busca se antecipar aos graves problemas sociais que podem surgir em 2021

29 set 2020
09h35
atualizado às 10h10
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O presidente Jair Bolsonaro usou suas redes sociais nesta terça-feira para se defender das avaliações de que o governo estaria usando atalhos para burlar o teto de gastos e criar o programa Renda Cidadão --ampliação do Bolsa Família--, de olho nas eleições de 2022 e afirmou que a responsabilidade fiscal e o teto são os "trilhos da economia".

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília
28/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 28/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

"Os responsáveis pela destruição de milhões de empregos agora se calam. O meu governo busca se antecipar aos graves problemas sociais que podem surgir em 2021, caso nada se faça para atender a essa massa que tudo, ou quase tudo, perdeu", escreveu o presidente em suas redes sociais.

"A responsabilidade fiscal e o respeito ao teto são os trilhos da Economia. Estamos abertos a sugestões juntamente com os líderes partidários."

Na segunda, Bolsonaro, ao lado dos líderes do governo no Congresso e do ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a criação de um programa de ampliação do Bolsa Família, o Renda Cidadã. A proposta prevê o uso de parte dos recursos do Fundo de Desenvolvimento d Educação Básica (Fundeb) e parte dos recursos destinados a pagamentos e precatórios --dívidas de ações judiciais a serem pagas a pessoas físicas e jurídicas depois das sentenças definitivas-- para financiar o programa social.

O anúncio teve uma reação negativa do mercado, com queda da bolsa de valores, subida do dólar e dos juros futuros, e foi vista por analistas como um drible no teto de gastos, mirando uma possível reeleição em 2022.

Os líderes também revelaram que não há acordo ainda sobre a reforma tributária, mas já se prepara uma proposta de recriação da CPMF --agora com outro nome-- com alíquota de 0,2% sobre todas as transações financeiras.

Bolsonaro creditou a reação às propostas a um suposto incômodo de adversários ao aumento de sua popularidade em pesquisas.

"Minha crescente popularidade importuna adversários e grande parte da imprensa, que rotulam qualquer ação minha como eleitoreira. Se nada faço, sou omisso. Se faço, estou pensando em 2022", escreveu o presidente.

"Na verdade, estou pensando é em 2021, pois temos milhões de brasileiros que perderam seus empregos ou rendas e deixarão de receber o auxílio emergencial a partir de janeiro 2021."

O governo calcula que pelo menos 5 milhões de pessoas que recebem o auxílio emergencial não conseguirão voltar ao mercado de trabalho até dezembro, quando será paga a última parcela. O benefício, pago depois do início da epidemia de coronavírus, foi o principal responsável pelo aumento da popularidade de Bolsonaro, especialmente entre os mais pobres, segundo analistas.

"A política do 'fique em casa que a economia a gente vê depois' acabou e o 'depois' chegou. A imprensa, que tanto apoiou o 'fique em casa', agora não apresenta opções de como atender a esses milhões de desassistidos", escreveu o presidente.

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