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BNDES tem ajudado a evitar recuperação judicial de empresas estratégicas, diz Mercadante

Ele também afirmou que Braskem passou por um amplo 'saneamento', com mudança na governança, e que mercado 'soube reconhecer mudanças'

12 mai 2026 - 14h37
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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloisio Mercadante, afirmou que o banco de fomento está trabalhando fortemente para evitar as recuperações judiciais de empresas. Ele citou que o BNDES tem trabalhado nesse sentido, para encontrar soluções. "Vamos olhar com atenção", disse.

Mercadante acrescentou, no entanto, que não poderia comentar sobre companhias abertas. "Temos que nos dedicar a encontrar boas soluções. Só não vou comentar outros casos, porque comentar sobre empresas de capital aberto não seria prudente", disse.

"Mas vamos olhar para isso com muita atenção, mesmo quando a participação do BNDES é pequena", acrescentou.

O presidente do BNDES, Aloisio Mercadante
O presidente do BNDES, Aloisio Mercadante
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Braskem

Mercadante disse que foi feito um amplo saneamento na Braskem, com mudança na governança. "O mercado soube reconhecer essas mudanças", disse, ressaltando que nesta terça-feira a ação tem forte alta, de mais de 21%.

Ele destacou que foi feita uma verdadeira mudança na empresa, incluindo a entrada da gestora IG4, que vai fazer um trabalho de reestruturação. "Nós trabalhamos duramente na Braskem, com os credores, com a Petrobras, incluindo os sócios, para poder encontrar uma solução", disse.

"Foi duríssima a negociação, mas foi dado um salto muito grande pela situação que a Braskem estava", disse Mercadante. "Esse é o nosso trabalho, sanear financeiramente e encontrar soluções", completou.

Nesta terça, o JPMorgan elevou a recomendação para a ação da companhia, neutro para overweight (equivalente à compra), citando entre os fatores a governança fortalecida após a reestruturação.

Inadimplência

O presidente do BNDES disse que a instituição vem em trajetória de "crescimento forte e consistente, com qualidade", e se aproxima de R$ 1 trilhão em ativos. Tudo isso, com uma taxa de inadimplência que "de longe é a menor do mercado".

O indicador de inadimplência, para atrasos acima de 90 dias, fechou o primeiro trimestre em 0,046%, de 0,06% do quarto trimestre de 2025.

A avaliação de Mercadante é que as consultas para pedidos de financiamento vão continuar crescendo. No primeiro trimestre, as consultas, aprovações e desembolsos crescem de 37% a 65% frente ao mesmo período de 2025, ressaltou.

Mercadante ressaltou o financiamento do banco para o Plano Safra e deu destaque aos projetos de inovação. "O Brasil precisa inovar."

Lucro

O BNDES registrou lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 17% sobre o resultado de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, o lucro recorrente foi de R$ 15,6 bilhões, alta de 22% em relação a 2022 (R$ 12,5 bilhões).

O diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do banco, Alexandre Abreu, afirmou durante entrevista à imprensa em São Paulo que o anualizado é novamente o maior da história do banco de fomento.

Nos primeiros meses de 2026, os ativos totais se aproximam de R$ 1 trilhão, atingindo R$ 995 bilhões, maior valor nominal da história, crescendo mais de 45% desde 2022, e a carteira de crédito alcançou R$ 678,2 bilhões, alta de 14% em relação a 2025 e maior patamar desde 2016.

O resultado operacional da instituição também manteve a trajetória de crescimento no primeiro trimestre de 2026, com aprovações e desembolsos superando as marcas dos últimos anos. As aprovações de crédito somaram R$ 45,7 bilhões, aumento de 37% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 254% sobre 2022.

Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 36,2 bilhões no trimestre, aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2025 e de 145% frente ao primeiro trimestre de 2022, garantindo a continuidade do crescimento da carteira expandida. Destaque para os setores da indústria, com alta de 67% (R$ 8 bilhões) frente a 2025; infraestrutura, crescimento de 51% (R$ 13,4 bilhões); e agropecuária, com 40% (R$ 9,1 bilhões).

No período, as consultas somaram R$ 84,4 bilhões, crescimento de 65% sobre 2025 e de 490% sobre 2022.

Considerando somente operações para entes públicos, principalmente estados e municípios, entre janeiro de 2023 e março de 2026 foram aprovados R$ 41 bilhões em novas operações, montante que representa 7,3 vezes as operações realizadas entre 2019 e 2022. Os recursos se destinaram, principalmente, a projetos de impacto social e climático, como mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação climática e resiliência.

Para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), as aprovações de crédito somaram R$ 29 bilhões, o que representa um aumento de 120% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 333% sobre 2022. As garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros alcançaram R$ 20,8 bilhões, totalizando o volume de R$ 49,8 bilhões de apoio a tais empresas, aumento de 44% comparado ao primeiro trimestre de 2025 e de 592% a igual período de 2022.

A inadimplência de 0,046% (90 dias) permanece expressivamente inferior à do Sistema Financeiro Nacional (4,33% geral e 0,60% para grandes empresas em março de 2026), evidenciando a solidez da carteira de crédito do BNDES.

O patrimônio líquido atingiu R$ 192 bilhões, em 31 de março de 2026, aumento de R$ 19,7 bilhões frente ao encerramento de 2025 em virtude do lucro líquido (incluindo vendas de ações) de R$ 3,9 bilhões no trimestre, e do efeito positivo do ajuste a valor de mercado de ativos (principalmente ações e debêntures) de R$ 15,8 bilhões, líquido de tributos.

Em 31 de março de 2026, o Índice de Basileia atingiu 24,1% (25,2% em dezembro de 2025), mantendo situação confortável em relação ao limite de 10,5% exigido pelo Banco Central. O decréscimo observado em relação ao apurado em dezembro de 2025 reflete o aumento dos ativos ponderados pelo risco, principalmente pela valorização da carteira de ações, em proporção superior ao crescimento do patrimônio de referência, relacionado com as variações do patrimônio líquido mencionadas.

Os financiamentos de créditos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, que compõem a carteira de crédito expandida, atingiram o montante de R$ 678 bilhões em 31 de março de 2026 (2,2% acima de dezembro de 2025), influenciado pela apropriação de juros e atualização monetária e pela integralização de debêntures. O montante é R$ 235 bilhões maior que o primeiro trimestre de 2022.

Estadão
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