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BCE torna global mecanismo de apoio ao euro para reforçar papel da moeda

14 fev 2026 - 15h32
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O Banco Central Europeu revelou no sábado planos ‌para ampliar o acesso ao seu mecanismo de apoio à liquidez do euro, tornando-o disponível globalmente e permanente, numa tentativa de reforçar o papel internacional da moeda.

O acesso a essas linhas de recompra, uma fonte crucial de financiamento em momentos de tensão no mercado, tem sido limitado a apenas alguns países, principalmente ⁠da Europa Oriental, mas a presidente do BCE, Christine Lagarde, há muito vê ‌o mecanismo como uma ferramenta para impulsionar o alcance global do euro.

"O BCE precisa estar preparado para um ambiente mais volátil", disse Lagarde na Conferência ‌de Segurança de Munique, a primeira vez que ‌um presidente do BCE discursou no evento.

"Devemos evitar uma situação em que ⁠essa tensão provoque vendas precipitadas de títulos denominados em euros nos mercados de financiamento globais, o que poderia prejudicar a transmissão da nossa política monetária", afirmou ao anunciar a nova facilidade.

O mecanismo, que estará disponível a partir do terceiro trimestre de 2026, estará aberto a todos os bancos centrais do mundo, desde ‌que não sejam excluídos por motivos de reputação, como lavagem de dinheiro, financiamento ‌do terrorismo ou sanções internacionais, ⁠afirmou o BCE.

"Esta ⁠facilidade também reforça o papel do euro", disse Lagarde. "A disponibilidade de um credor de última ⁠instância para os bancos centrais em ‌todo o mundo aumenta a ‌confiança para investir, tomar empréstimos e negociar em euros, sabendo que o acesso estará disponível durante as perturbações do mercado."

Utilizada quando os bancos não conseguem obter financiamento no mercado, a linha de recompra permite que os ⁠credores tomem empréstimos em euros do BCE contra garantias de alta qualidade, a serem reembolsados no vencimento juntamente com os juros.

Ao contrário das linhas anteriores, que precisavam ser prorrogadas de tempos em tempos, a nova facilidade fornecerá acesso permanente para até 50 bilhões de euros.

Com ‌os investidores reavaliando o status do dólar devido à natureza imprevisível da política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lagarde argumentou que este ⁠era o momento para o euro ganhar participação no mercado, mas isso exigia uma arquitetura financeira e econômica renovada.

O Federal Reserve dos EUA mantém uma ferramenta semelhante, chamada FIMA Repo Facility, que essencialmente protege o mercado do Treasury, uma vez que, de outra forma, as tensões poderiam forçar os credores a vender títulos do governo abaixo do valor de mercado.

"Essas mudanças visam tornar a facilidade mais flexível, mais ampla em termos de alcance geográfico e mais relevante para os detentores globais de títulos em euros", afirmou o BCE em comunicado.

Esse acesso garantido ao euro poderia naturalmente aumentar a demanda por ativos denominados em euros e incentivar os bancos fora da zona do euro, composta por 21 países, a comprar ativos do bloco.

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