BCE pode não ter evidências para elevar juros até reunião de 30 de abril, diz membro do banco
O Banco Central Europeu (BCE) pode não ter todos os dados neste mês para determinar se as taxas de juros terão de ser aumentadas para controlar um aumento da inflação, e a reunião de junho oferecerá um conjunto maior de informações, disse o presidente do Banco da Estônia e integrante do Conselho do BCE, Madis Muller.
A inflação da zona do euro saltou para 2,5% no mês passado, uma vez que a guerra no Oriente Médio elevou os custos de energia, e os formuladores de política monetária estão agora debatendo se precisam subir juros para evitar que esse salto desencadeie uma espiral de preços que se reforce por si mesma.
O BCE precisa estar pronto para agir de modo a evitar que esses efeitos secundários se instalem, mas a reunião de política monetária de 30 de abril pode ser muito cedo para que haja evidências desses impactos, argumentou Muller.
"Neste momento, ainda não há dados concretos sobre isso", disse ele à Reuters à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington. "Também levaria algum tempo para que as pressões inflacionárias mais amplas se consolidassem."
"Portanto, pode ser difícil dizer até o final de abril se precisamos nos preocupar com isso", disse ele.
Entretanto, um aumento dos juros em abril não pode ser descartado e o BCE precisa manter suas opções em aberto, já que reviravoltas inesperadas na guerra podem alterar fundamentalmente as perspectivas, acrescentou.
"Por exemplo, algo poderia dar terrivelmente errado nas negociações de paz", disse Muller. "A duração da guerra é a maior incógnita que impulsionará os preços da energia e terá implicações mais amplas para o crescimento e a inflação."
Ele acrescentou que seria um erro o BCE simplesmente presumir que o choque na inflação será temporário e de curta duração.
Os mercados financeiros agora veem uma chance em cinco de um aumento da taxa de juros do BCE neste mês, mas um movimento até junho está quase totalmente precificado e um segundo aumento mais à frente também é esperado.
"Até junho, teremos muito mais informações. Teremos mais números de inflação, mais dados concretos, novas projeções e melhores indicações sobre o desenvolvimento das expectativas de inflação", disse Muller.
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